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BC do Japão mantém taxa de juros mas divisão aponta para alta em junho

28 abr 2026 - 07h03
(atualizado às 07h34)
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O ‌Banco do Japão deixou inalterada a taxa de juros nesta terça-feira, mas três dos nove membros da diretoria propuseram um aumento dos custos dos empréstimos, sinalizando as preocupações das autoridades sobre as pressões inflacionárias decorrentes do conflito no Oriente Médio.

O banco central também revisou para cima ⁠suas previsões de preços e enfatizou a vigilância em relação ao ‌risco de a inflação ficar acima da meta, sinalizando uma forte chance de um aumento dos juros nos próximos meses.

"Embora o Banco do ‌Japão tenha mantido os juros, os três ‌votos dissidentes destacam as tensões que as autoridades monetárias enfrentam", ⁠disse Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, observando que os choques de energia estão estimulando a inflação e reduzindo o crescimento.

"Dadas as elevadas expectativas de inflação no Japão, que aumentaram ainda mais devido à crise energética, o Banco do Japão precisará aumentar a taxa ‌de juros no devido tempo para evitar que as pressões sobre os ‌preços aumentem ainda mais", ⁠disse ele.

Conforme ⁠amplamente esperado, o banco central deixou inalterada sua taxa de juros em 0,75% após ⁠dois dias de reuniões que ‌terminaram nesta terça-feira.

Entretanto, em um ‌movimento inesperado, três membros da diretoria discordaram e, em vez disso, pediram um aumento da taxa para 1,0%. Naoki Tamura e Junko Nakagawa se juntaram a Hajime Takata, que, sem sucesso, ⁠fez uma proposta individual de aumento em março.

Esse foi o maior número de dissidências que a diretoria já viu desde janeiro de 2016, quando o Banco do Japão adotou juros negativos por uma votação apertada de 5 a 4.

O ‌presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que o banco central decidiu pela pausa por enquanto para passar mais tempo avaliando as ⁠consequências do conflito e para analisar o que ainda considera ser uma inflação temporária, impulsionada por choques na oferta.

No entanto, ele enfatizou a disposição do banco de aumentar os juros para evitar que o choque de energia alimente uma inflação mais ampla, desde que qualquer desaceleração econômica decorrente da guerra do Irã seja moderada.

"Se os riscos inflacionários conseguirem se materializar ou se eles aumentarem significativamente, poderemos elevar a taxa de juros, desde que os riscos econômicos negativos ou o risco de uma piora econômica acentuada sejam limitados", disse Ueda em uma coletiva de imprensa.

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