BC atrasa lançamento oficial do Pix Parcelado, de olho em desenho da regulação e em meio a ataques
Modalidade possibilita tomada de crédito pelo pagador para permitir o parcelamento de uma transação Pix; procurado, BC não se manifestou
BRASÍLIA - O Banco Central decidiu adiar o lançamento oficial do Pix Parcelado, originalmente agendado para setembro. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, a definição levou em conta critérios técnicos e o desenho da regulação. A avaliação é de que o modelo ainda precisa amadurecer no Fórum Pix, ambiente de discussão e coordenação dos diversos agentes de mercado. O atraso pode ser de ao menos um mês.
A informação sobre o adiamento do lançamento foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast. Procurado, o Banco Central não se manifestou até o momento.
Inicialmente, quando o calendário foi publicado, a autoridade monetária avaliava que seria necessário lançar uma regulação para assegurar a facilidade de escolha da modalidade pelo usuário. No entanto, a adesão ao Pix Parcelado foi tão rápida que a preocupação mudou. Agora, a ideia é avaliar as práticas que o mercado vem adotando, e analisar se vai ser preciso proibir alguma delas.
Por causa da adesão, há quem considere que sequer faz sentido falar em "atraso" no lançamento. Uma pesquisa da Matera divulgada este ano mostrou que 53% dos consumidores haviam usado o Pix Parcelado entre setembro e outubro de 2024.
A modalidade ficou atrás apenas do cartão de crédito, com 77%. A margem de erro do levantamento é de 3,64 pontos porcentuais para mais ou para menos.
Na última plenária do Fórum Pix, realizada em junho, o BC indicou que o regulamento do Pix Parcelado, padronizando a modalidade, seria lançado em setembro. Em março de 2026, o período de "convivência" entre o Pix Parcelado e os modelos privados terminaria. Uma nova reunião do grupo está agendada para acontecer na próxima quinta-feira, 2.
Internamente, há quem argumente que há poucos servidores para tocar a iniciativa, que tem caráter complexo, enquanto o BC também se esforça para aumentar a segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Desde o início de setembro, a autarquia vem anunciando uma série de medidas nesse sentido, após uma sequência de ataques do crime organizado contra instituições financeiras.
Na última quinta-feira, durante uma entrevista coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, evitou responder se a autarquia teria de atrasar a sua agenda de inovação por falta de recursos. Ele defendeu que é importante "destravar" a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia orçamentária e financeira "o mais rápido possível".
O que é o Pix parcelado?
Segundo o BC, o Pix Parcelado possibilita a tomada de crédito pelo pagador para permitir o parcelamento de uma transação Pix. Quem estiver recebendo terá acesso a todo o valor instantaneamente, enquanto o pagador terá parcelas ao longo de um tempo determinado para quitar o total.
O BC afirma que a funcionalidade tem potencial para estimular o uso do Pix no varejo para a compra de bens e serviços de valor mais elevado, funcionando como uma alternativa para quem não tem acesso a crédito.
Na prática, para o consumidor, o funcionamento do Pix Parcelado é semelhante ao de um parcelamento no cartão de crédito. Mas a modalidade permite parcelar a compra diretamente pela conta bancária, sem precisar do cartão.
O cliente poderá parcelar o valor a ser pago, com o acréscimo da taxa de juros aplicada. A expectativa é que as taxas de juros no Pix Parcelado sejam mais baixas, devido ao potencial de diminuição de custos nessas operações, tanto para lojistas como para clientes, com a eliminação de intermediários.
O Pix Parcelado já é oferecido por algumas instituições financeiras. A intenção do Banco Central agora é padronizar as regras.