Bancos centrais globais defendem Powell após ameaça de Trump
Os chefes de muitos dos principais bancos centrais do mundo divulgaram nesta terça-feira uma declaração conjunta em apoio ao chair do Federal Reserve, Jerome Powell, depois que o governo dos Estados Unidos o ameaçou com uma acusação criminal.
Powell está no centro de uma investigação criminal do governo Trump sobre a reforma da sede do Fed, que ele chamou de "pretexto" para ganhar influência presidencial sobre a taxa de juros.
Os chefes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo do Brasil, disseram que Powell agiu com integridade e que a independência do banco central é crucial para manter os preços e os mercados financeiros estáveis.
"Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair Jerome H. Powell", disseram os banqueiros centrais em um raro comunicado conjunto.
"A independência dos bancos centrais é a pedra fundamental da estabilidade econômica, financeira e de preços no interesse dos cidadãos que atendemos", acrescentaram.
A investigação dos EUA já atraiu críticas do mundo das finanças e também de alguns membros importantes do Partido Republicano de Trump.
Os banqueiros centrais temem que a influência política sobre o Fed diminua a confiança no compromisso do banco com sua meta de inflação. Isso levaria a uma inflação mais alta e a volatilidade do mercado financeiro global.
Como os EUA são a economia dominante do mundo, provavelmente exportariam essa inflação mais alta por meio dos mercados financeiros, tornando mais difícil para outros bancos centrais manterem os preços estáveis.
"Portanto, é fundamental preservar essa independência, com total respeito ao estado de direito e à responsabilidade democrática", afirmou o grupo de banqueiros centrais.
O grupo incluiu ainda os chefes dos bancos centrais do Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália, Coreia do Sul e França, bem como o presidente do Banco de Compensações Internacionais.
Uma fonte disse, antes da publicação da declaração, que todos os banqueiros centrais seriam bem-vindos para participar posteriormente.