Fictor Invest, que tentou comprar Banco Master, diz que pagará investidores em fevereiro após atraso
Empresa afirma que caso não se trata de 'insolvência ou falta de compromisso', mas de evento pontual: 'Estamos atravessando um momento atípico na história da companhia'
A Fictor Invest, alvo de reclamações de investidores por atraso em pagamentos, informou que a situação deverá ser regularizada em 12 de fevereiro. No documento, a empresa reiterou que o atraso não se trata de "insolvência ou falta de compromisso" e sim de um evento pontual.
Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor tentou comprar o Banco Master por R$ 3 bilhões, às vésperas da liquidação da instituição pelo Banco Central e da prisão de Daniel Vorcaro, presidente do Master.
A holding financeira chegou a anunciar que o acordo para a aquisição do Master envolvia um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos — que seriam, segundo ela, responsáveis por mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão. Mas o anúncio nunca deixou claro quem seriam exatamente esses investidores. O Master foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte ao anúncio do acordo.
A Fictor tinha como sócios principais Rafael Góis, Rafael Paixão e Phillippe Rubini — atualmente, apenas Góis permanece na sociedade. Da camisa do Palmeiras a prédios de apartamentos no Rio de Janeiro, passando pelo atletismo brasileiro, a holding fundada em 2007 atua nos setores financeiro, de infraestrutura, energia e de negociação de alimentos.
O grupo diz possuir mais de 6 mil funcionários e um portfólio com mais de 30 empresas no Brasil, Estados Unidos e Europa. Também tem participado da consolidação do setor de frigoríficos no País, por meio da Fictor Alimentos.
Com sede em Miami, a divisão americana é focada em soluções para clientes B2B em vários setores da economia. Já no continente europeu, a operação é tocada de Lisboa, dentro do projeto de internacionalização da companhia. Em 2024, o grupo teve faturamento de R$ 3,5 bilhões, acima dos R$ 2 bilhões do ano anterior.
Parte do grupo já está na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, por meio de um IPO reverso, que é quando uma empresa fechada compra outra listada em Bolsa e passa, assim, a ser aberta. Nesse caso, a Fictor e a Aqwa Capital compraram no ano passado a Atom Empreendimentos e Participações, empresa listada, rebatizada de Fictor Alimentos.
No Palmeiras, o contrato foi anunciado em março do ano passado, com a previsão de investimentos anuais de R$ 30 milhões. Com isso, o grupo se tornou patrocinadora master das categorias de base do clube, com o nome na camisa, inclusive do time principal.
Ainda nos esportes, a Confederação Brasileira de Atletismo anunciou em novembro do ano passado o grupo como novo patrocinador, em evento com a presença dos campeões mundiais Alison dos Santos (400m com barreiras) e Caio Bonfim (marcha atlética). Segundo o anúncio, é o maior patrocínio privado da história da entidade, com R$ 21 milhões até março de 2029.
Na área financeira, no começo de 2024, o grupo criou a FictorPay, uma empresa de pagamentos e serviços financeiros, com uma operação de maquininhas de cartão para lojistas (adquirência) e um cartão de crédito com bandeira.
Em outubro do ano passado, o grupo anunciou que estava destinando R$ 268 milhões de recursos próprios para a construção de apartamentos para aluguel na cidade do Rio de Janeiro em parceria com a norte-americana Greystar, maior do mundo neste segmento e que será responsável pela administração e locação dos imóveis.
A operação com o Master representaria um passo de entrada da Fictor no mercado financeiro brasileiro, segundo nota assinada por Rafael Góis na época do acordo. "Seguimos alinhados às melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional. Mantemos o que sempre guiou nossa trajetória: investir na economia real", disse na época.
'Momento atípico'
Sobre o atraso em pagamentos, a Fictor afirmou estar atravessando "um momento atípico na história da companhia". "Um ambiente de maior exposição e pressão midiática, aliado a ajustes operacionais decorrentes de relações com fornecedores estratégicos, gerou um desafio temporário de liquidez e de timing operacional", diz a empresa, em nota.
Para sanar a falta de liquidez, a empresa iniciou a liquidação de operações e de ativos estratégicos. "São medidas concretas, já em andamento, e não apenas diretrizes teóricas", diz a Fictor.
A empresa ressaltou, ainda, que, nos próximos dias, deve anunciar a entrada de um investidor relevante no grupo, "marcando o início de uma nova etapa de fortalecimento e crescimento da companhia."
Compra barrada pelo BC
Além da tentativa de compra do Master, o Grupo Fictor tinha feito anteriormente uma oferta de aquisição do banco fluminense de pequeno porte Porto Real, que foi vetada pelo Banco Central. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast. Não foi possível identificar qual foi a motivação do regulador para barrar a transação porque o processo corre sob sigilo.
Um comunicado do BC de julho do ano passado divulgou o nome das pessoas que tinham interesse em assumir o controle do banco de investimento: LPGR Participações S.A., como controlador direto, e Luiz Phillippe Gomes Rubini, como controlador final.
No site do Porto Real há a descrição de que a instituição foi fundada em 2011 por profissionais experientes do mercado financeiro e focada na atuação em crédito tradicional, operações estruturadas e gestão de recursos, contando com um time sênior e com significativo conhecimento de mercado./Com Ana Paula Machado