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Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo

24 jul 2026 - 12h55
(atualizado às 13h15)
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou nesta sexta-feira ‌que a economia e o mercado de trabalho no Brasil estão resilientes, reforçando que o cenário atual, que inclui expectativas de inflação desancoradas, demanda juros em patamar restritivo por mais tempo.

"Os sinais que a gente tem da economia brasileira são ainda de uma economia com o mercado de trabalho bastante resiliente, uma atividade econômica que se mostra ainda ⁠resiliente, e a preocupação adicional das expectativas (de inflação), que já estavam parcialmente desancoradas, e desancoram ‌ainda um pouco mais", disse em participação no evento Expert XP 2026, promovido pela XP, em São Paulo.

"Isso obviamente é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com ‌uma taxa de juros num patamar restritivo por um ‌período mais longo."

O boletim Focus do BC mostra que o mercado espera uma ⁠inflação de 4,20% em 2027, contra 4,15% um mês atrás, com expectativa em 3,78% para 2028, ante 3,70% há um mês.

Galípolo afirmou que o BC tem se colocado dependente de dados, buscando tomar tempo para analisar o cenário e enxergar "tendência de maneira mais clara" antes de tomar decisões.

"A gente vai seguir acompanhando os dados com a convicção de que ‌o cenário atual demanda taxas de juros em patamar restritivo", disse.

A Selic está atualmente em ‌14,25% ao ano, e o ⁠Comitê de Política Monetária (Copom) ⁠se reunirá novamente no início de agosto para discutir uma nova taxa. No mercado, os investidores estão ⁠posicionados de forma majoritária para uma nova ‌redução de 25 pontos-base, mas ‌há dúvidas sobre a continuidade deste processo de cortes nos meses seguintes, em parte por conta da disparada do petróleo.

O presidente do BC afirmou que a autarquia acompanha os desdobramentos das variações de preços do petróleo dia a dia, mas ponderou ⁠que o Brasil está melhor posicionado por ser exportador líquido da commodity, citando também o diferencial de juros em relação a outros países como uma linha de defesa do país.

Galípolo acrescentou que o fenômeno El Niño não tem um comportamento padrão a cada ocorrência, sendo difícil extrair uma tendência clara dos ‌efeitos a serem observados nos próximos meses.

Ele avaliou que é "bastante complexo" separar atualmente o que são efeitos do choque de oferta sobre a inflação e o que é ⁠fruto de uma resiliência maior da atividade econômica brasileira.

Nos últimos dias, a reaceleração dos preços do petróleo nos mercados internacionais, na esteira do conflito entre Irã e EUA, tem reforçado preocupações entre analistas sobre os efeitos deste choque na inflação nos países, incluindo no Brasil.

Galípolo reafirmou que o BC manterá serenidade e parcimônia em suas decisões, reforçando que o Copom considera "diversos planos de voo" para atingir a meta de inflação de 3%, inclusive com avaliações sobre possível pausa e retomada no ciclo de calibração dos juros.

Em sua decisão de juros do mês de junho, o BC indicou que combinaria momentos de pausa e retomada no ciclo da Selic para levar a inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.

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