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Ata do Fed: receios sobre a inflação dominaram a última reunião do banco central americano

Este mês, o BC americano deu o primeiro passo para retirar o impulso à economia ao anunciar que começaria a reduzir seus títulos do Tesouro e as compras de títulos lastreados em hipotecas em US$ 15 bilhões por mês a partir de novembro

24 nov 2021 20h14
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Preocupações com a inflação dominaram a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em novembro e alguns diretores sugeriram que o banco central deveria agir mais rapidamente para reduzir seu programa de compra de títulos, a fim de dar flexibilidade para aumentar as taxas de juros mais cedo se necessário, mostrou a ata da reunião divulgada nesta quarta-feira, 24.

O Fed tem comprado US$ 120 bilhões em títulos a cada mês e manteve as taxas de juros perto de zero, medidas políticas que ajudaram a tornar os empréstimos baratos e a manter o fluxo de dinheiro na economia.

Este mês, o Fed deu o primeiro passo para retirar o impulso à economia ao anunciar que começaria a reduzir seus títulos do Tesouro e as compras de títulos lastreados em hipotecas em US$ 15 bilhões por mês a partir de novembro.

"Alguns participantes sugeriram que reduzir o ritmo de compras de ativos líquidos em mais de US$ 15 bilhões a cada mês poderia ser garantido para que o comitê estivesse em uma posição melhor para fazer ajustes na faixa-alvo para a taxa de fundos federais, especialmente à luz das pressões inflacionárias ", afirma a ata, se referindo ao Federal Open Market Committee, o grupo que fixa as taxas de juros, equivalente ao Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil.

Esses comentários refletem a incerteza do banco central sobre por quanto tempo as distorções no fornecimento de matérias-primas e os preços elevados poderiam continuar. As autoridades do Fed mantiveram sua expectativa de que a inflação diminuiria "significativamente durante 2022", mas os diretores "indicaram que sua incerteza em relação a essa avaliação havia aumentado".

"Muitos participantes apontaram para considerações que podem sugerir que elevada a inflação pode ser mais persistente ", disseram as autoridades.

Inflação em alta

A inflação acelerou no último ano, o que representa um desafio para o Fed, que é responsável por manter os preços estáveis, junto da meta de manter o emprego alto. Os preços continuaram subindo desde a última reunião do Fed, uma trajetória que poderia levar os formuladores de políticas a reduzir seu programa de incentivo econômico mais rapidamente do que o esperado anteriormente.

Dados divulgados nesta quarta mostram que os preços estão subindo no ritmo mais rápido em três décadas nos Estados Unidos, à medida que os consumidores enfrentam custos mais altos de gás e alimentos. Os preços subiram 5% nos 12 meses até outubro, de acordo com o índice de despesas de consumo pessoal, a medida preferida do Fed para inflação.

O vice-presidente do Fed, Richard Clarida, deu a entender na semana passada que poderia ser apropriado acelerar a redução de compras de títulos em sua próxima reunião, dizendo que estará analisando "de perto os dados que obteremos entre agora e a reunião de dezembro."

Mary Daly, presidente do Federal Reserve Bank de São Francisco, disse ao Yahoo Finance nesta semana que estaria aberta a apoiar um fim mais rápido do programa de compra de títulos se as tendências econômicas não melhorarem. "Se as coisas continuarem a fazer o que estão fazendo, então eu apoiaria completamente um ritmo acelerado de redução gradual", disse Daly.

As autoridades tentaram separar a redução de compra de títulos de seus planos para as taxas de juros. Mas os investidores esperam cada vez mais que os aumentos das taxas comecem a ocorrer em meados de 2022.

O Fed disse que deseja alcançar o pleno emprego antes de aumentar os custos dos empréstimos para esfriar a economia. Dados divulgados pelo Departamento do Trabalho mostram que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para seu ponto mais baixo desde 1969, caindo para 199.000 na semana passada.

Estadão
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