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Após reunião com secretário dos EUA, ministro da Fazenda diz estar 'confiante' em acordo no prazo

Onze dias depois de os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump terem acertado 30 dias para chegar a um acordo sobre a aplicação de tarifas aos produtos brasileiros importados pelos americanos, o ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, disse estar "confiante" de que prazo será cumprido. Ele se encontrou com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, na manhã desta terça-feira (19), em Paris.

19 mai 2026 - 14h33
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Lúcia Müzell, da RFI em Paris

A reunião ocorreu à margem da agenda oficial das reuniões dos ministros das Finanças do G7, em preparação para a cúpula do grupo em junho, na cidade francesa de Évian-les-Bains. Além de tentar evitar um novo tarifaço, a negociação inclui outros temas comerciais sensíveis, como a investigação que os Estados Unidos estão realizando sobre o sistema brasileiro de pagamentos PIX.

"Eu disse para ele que gostaria que a gente avançasse nos acordos bilaterais. Ele mesmo se colocou à disposição e falou: 'Olha, se a gente precisar, enquanto ministros da Fazenda, entrar no jogo para ajudar na negociação, nós dois estaremos à disposição. Então foi uma reunião muito fluida, muito boa e bem consensual, eu diria", relatou Durigan, em uma coletiva de imprensa. 

"A gente não entrou em detalhes. Mas ele disse: 'vocês seguem confiantes no prazo de 30 dias, determinado pelos dois presidentes?' Eu disse que sim, que isso estava sendo tratado pelo Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, com o Jamieson Greer, que é a contraparte [nos EUA], e que nós dois deveríamos ajudá-los na condução."

Os dois ministros abordaram o tema da segurança, mencionado na reunião entre Trump e Lula, com foco no combate ao crime organizado e operações conjuntas nas aduanas dos dois países. Os impactos da guerra no Irã sobre os preços do petróleo também estiveram na pauta.

Subsídios aos combustíveis 

Este foi um dos principais tópicos das reuniões ministeriais do G7, das quais o Brasil participou como país convidado, ao lado do Quênia, da Índia e da Coreia do Sul. Dario Durigan indicou que vê o Brasil em uma posição "privilegiada" para enfrentar o aumento dos preços dos combustíveis, em meio bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.

"O que tem entrado a mais de receita em razão do Brasil ser exportador líquido de óleo cru, a gente tem direcionado para mitigar o impacto para os caminhoneiros, para as famílias que têm que comprar comida, e para ajudar os Estados a garantir escoamento de safra e outras atividades econômicas importantes. Eu acho que é muito compatível", alegou. "E quando eu olho para o lado no mundo, a situação brasileira é uma situação privilegiada."

O ministro ressaltou que os subsídios e desonerações adotados no país para combater o aumento dos preços internacionais do petróleo serão reavaliados a cada dois meses, conforme o andamento do conflito no Oriente Médio. Durigan reafirmou o compromisso da pasta com a neutralidade fiscal das medidas e rejeitou a acusação de que seriam motivadas pela campanha eleitoral. 

"Os países aqui estão falando em racionamento de combustível. No Brasil, não. No Brasil, a gente tem dito que o excedente de recurso vai ser utilizado para moderar, para diminuir o impacto nas pessoas. Essas medidas todas têm que ser adotadas com cuidado para não prejudicar a situação fiscal do país", ressaltou.

Ministros das Finanças dos países do G7 posam para foto oficial de encontro em Paris, a um mês da cúpula do grupo em Evians-les-Bains. (19/05/2026)
Ministros das Finanças dos países do G7 posam para foto oficial de encontro em Paris, a um mês da cúpula do grupo em Evians-les-Bains. (19/05/2026)
Foto: RFI

Os ministros do G7 discutiram formas de atenuar os efeitos da alta de preços do petróleo e de fertilizantes sobre os países mais vulneráveis, principalmente africanos. Os contornos ainda serão debatidos na cúpula de chefes de Estado e de Governo, no mês que vem, mas o plano contaria com o suporte de bancos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Pressão sobre a Rússia 

Ao final dos dois dias de reuniões em Paris, os ministros ressaltaram a determinação de "manter a pressão" sobre as exportações de petróleo russo, em um tema que gerou atrito entre as delegações europeias e americana. Para atenuar o impacto doméstico, Washington suspendeu as restrições ao produto de Moscou no começo do mês.

"Quero deixar bem claro que a Rússia não pode se beneficiar da guerra no Oriente Médio. Isso não é uma opção. E sobre isso, todos os membros do G7 concordam", afirmou o ministro francês da Economia, Roland Lescure, ao final do evento. "Nós estamos firmemente comprometidos em manter e prosseguir com as sanções e pressões sobre a Rússia para impedi-la de obter receitas cruciais e financiar o esforço de guerra."

Os ministros também decidiram estender a aliança de minerais críticos criada no Canadá no ano passado, para melhorar o planejamento de estoques internacionais, a rastreabilidade da cadeia de valor e o compartilhamento de informações. O tema é prioritário para o Brasil, dono das segundas maiores reservas mundiais dessas matérias-primas essenciais para a economia digital e a transição energética.

"Nós estamos à disposição para abrir um diálogo, mas nós temos as nossas exigências, as nossas condições como país soberano. Há um interesse comum em minerais críticos, e acho que se a gente tiver uma legislação que dê segurança jurídica a partir desses dois pilares, soberania e industrialização no Brasil, dará segurança jurídica", frisou Durigan. 

"Eu percebo que há um interesse muito grande dessas empresas em irem para o Brasil, por isso eu digo: não precisa de benefício fiscal. Há uma demanda instalada no mundo. Os países do G7 são os países mais ricos do mundo e têm interesse enorme por minerais críticos", reiterou.

Durigan ainda deve se reunir com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, antes de retornar a Brasília na noite desta terça-feira (19).

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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