Alcolumbre reclama de pressão para pautar escala 6x1 após Boulos dizer que ele 'brinca com fogo'
Presidente do Senado se queixou de ser alvo de 'ofensas' e criticou pecha sobre o Congresso Nacional de 'inimigo do povo'
BRASÍLIA - O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reclamou da pressão que tem recebido sobre a tramitação de matérias no Senado e disse que a proposta de fim da escala 6x1 não pode servir ao calendário eleitoral, durante pronunciamento no plenário do Senado, nesta terça-feira, 30.
Mais cedo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que Alcolumbre está "errando feio" ao não dar andamento à PEC (leia mais abaixo).
O presidente do Senado se queixou de ser alvo de "ofensas" e criticou a pecha sobre o Congresso Nacional de "inimigo do povo", mote de protestos liderados por forças progressistas no ano passado. A PEC da escala 6x1 está parada há mais de um mês no Senado e nem sequer foi despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
"Não aceito ofensas, agressões e ataques por aqueles que acusavam, outrora, outra autoridade, e que agora estão fazendo a mesma coisa com o presidente do Senado agora, e que no ano passado fizeram com o presidente da Câmara dos Deputados, colocando um carimbo como Congresso inimigo do povo", afirmou. "Nós temos a informação de quem está plantando isso na sociedade".
Em determinado momento, Alcolumbre citou diretamente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1. "Inclusive, eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6x1 precisa ser deliberada agora antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso, eu acho que não pode", afirmou.
As declarações ocorreram enquanto Alcolumbre comunicava o adiamento da votação da PEC dos agentes de saúde, que também gera um impasse por causa do impacto fiscal de R$ 27,9 bilhões em dez anos. "Não tirei ela da pauta e não vou tirar ela da pauta, mesmo sendo agredido e atacado, muitas das vezes por todos os lados políticos do Brasil", disse.
O presidente do Senado disse que "seria mais cômodo" escolher entre a esquerda e a direita. "O que estou fazendo aqui, pagando um preço caríssimo, inclusive no CPF, é tentar equilibrar um país absolutamente dividido no ano da eleição. Isso é uma tarefa muito árdua. Isso é uma tarefa dramática para mim, porque, como você não consegue escolher um lado, na minha condição, você é ofendido pelos dois lados."
Boulos diz que Alcolumbre está 'errando feio' e 'brincando com fogo'
Mais cedo, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse nesta terça-feira, 30, ao programa Bom dia, Ministro, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), "está errando e errando feio" ao não dar andamento à proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6x1.
Boulos fez uma analogia futebolística, aproveitando o clima de Copa do Mundo. Afirmou que "está tendo muita catimba" e que Alcolumbre "precisa lembrar que tem contra-ataque".
"Não tem justificativa para uma pauta que interessa ao povo brasileiro estar parada na gaveta há um mês por interesses menores. O presidente do Senado está errando e errando feio. E acho que está brincando com fogo. Quando ele deixa essa pauta parada sem nenhuma justificativa, porque não há justificativa de mérito, política ou de qualquer ordem", declarou.
Questionado sobre qual seria esse "contra-ataque", Boulos disse que "a sociedade é quem vai dizer qual vai ser". "Achar que vai paralisar uma pauta com clamor social e que a sociedade vai assistir a isso passiva, me parece uma concepção muito temerária e equivocada", completou.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência não disse, efetivamente, o que o governo federal deve fazer nesse sentido para garantir a aprovação da PEC do fim da 6x1. Afirmou que a principal resposta virá da pressão pública.
Boulos também criticou a PEC apresentada pela oposição no Senado como alternativa ao fim da escala 6x1. O ministro disse que a chamada PEC da hora trabalhada representa "o fim dos direitos trabalhistas, a redução salarial e o trabalhador tendo de se virar com bicos". Chamou a proposta de "vergonha" e "farsa", além de "um tapa na cara do povo".
"Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que apoia a PEC da hora trabalhada, faltou em 43% das sessões deliberativas do Senado. Imagina se valesse para ele a PEC da hora trabalhada… Não ia conseguir pagar as compras no fim do mês", declarou.
Boulos também criticou a atuação do setor empresarial contra o fim da escala 6x1. Falou que essa tentativa é uma "maneira descarada para atacar" a proposta.
"O presidente da Fecomercio-SP chegou ao ponto de, em entrevista, atacar o fim da escala 6x1, dizendo que é uma grande besteira, e sugerir que beneficiários de programas sociais não poderiam votar", declarou.
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