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Agro quer juros abaixo de dois dígitos para renegociação e incluir produtores com perda de renda

Governo defende que repactuação das dívidas seja restrita a produtores afetados por perdas decorrentes de intempéries climáticas; ainda não há definição de como proposta será encaminhada

7 jul 2026 - 13h54
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BRASÍLIA - A bancada da agropecuária defende juros abaixo de dois dígitos e a inclusão de produtores rurais com perda de renda na proposta de renegociação das dívidas rurais. Os termos foram discutidos com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira, 7. O governo, por sua vez, defende que a repactuação das dívidas seja restrita a produtores afetados por perdas decorrentes de intempéries climáticas.

Ainda não há definição se a proposta encaminhada será por meio de medida provisória ou por novo projeto de lei, segundo os deputados. Uma reunião de alinhamento da Frente Parlamentar da Agropecuária está prevista para a tarde desta terça e outra reunião com o governo pode ocorrer entre terça e quarta-feira. A proposta apresentada pela Fazenda é em alternativa ao projeto de lei 5.122/2023, aprovado no Senado e que tramita na Câmara dos Deputados.

Projeto de lei da renegociação das dívidas rurais foi aprovado há um mês no Senado, sob discordância do governo
Projeto de lei da renegociação das dívidas rurais foi aprovado há um mês no Senado, sob discordância do governo
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Segundo o relator do projeto na Câmara, deputado Afonso Hamm (PP-RS), a Fazenda manteve a proposta original de estabelecer juros anuais de 6% para pequenos produtores, 10% para médios e 12% para grandes. As taxas são maiores que as previstas pelos PL da renegociação, de 3,5%, 5,5% e 7,5%, respectivamente. "Nós entendemos que tem que ficar abaixo de dois dígitos", disse o parlamentar a jornalistas, após a reunião.

Outros pontos também continuam em aberto. A proposta do governo prevê um prazo total de oito anos para o pagamento das dívidas renegociadas — já contando dois anos de carência do principal da dívida, mas com pagamento do serviço da dívida. No PL, a previsão é de um prazo de 13 anos, incluindo três de carência. "Nós entendemos que o prazo, no mínimo, tem de ser de dez anos", afirmou o relator.

O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da FPA, afirmou que há possibilidade de os juros ficarem em 4% para pequenos produtores, 6% para médios produtores e 8% para grandes produtores. Há possibilidade ainda de criação de duas linhas de crédito para renegociação: uma voltada a produtores com perdas de safra por prejuízos climáticos e outra direcionada a produtores com perda de renda por queda de preços das commodities. "Está em discussão a criação de uma linha com juro diferenciado e com tratamento diferenciado para quem perdeu tudo pela chuva e pela seca, que não é a mesma questão daqueles produtores que perderam por questões comerciais", disse Moreira.

Questionado sobre as conversas em andamento com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), Moreira afirmou que Motta quer fazer a mediação entre o governo e a bancada. "Ele ficou de estar aqui hoje, não está. Não tem conversa com ele, por enquanto. Ele está usando a condição de presidente da casa para ser o mediador com autoridade para poder tomar a solução por medida provisória ou projeto de lei", afirmou Moreira.

Para produtores e entidades do agronegócio que acompanharam as tratativas na Fazenda, a proposta apresentada pelo governo é insuficiente para o enfrentamento das dívidas rurais. "Está muito longe do PL 5122/2023", disse uma liderança ao Estadão/Broadcast.

O projeto de lei da renegociação das dívidas rurais foi aprovado há um mês no Senado, sob discordância do governo. O projeto tem potencial de alcançar R$ 100 bilhões em dívidas a serem renegociadas com custo de no máximo R$ 65 bilhões em 13 anos, estima a FPA, ante impacto fiscal de R$ 140 bilhões calculados pelo Ministério da Fazenda. O projeto prevê o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de recursos de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda, como os fundos constitucionais, para o refinanciamento das dívidas rurais. Em contrapartida, o governo trabalha para segurar o texto, alegando elevado impacto fiscal da medida, e já cogita veto presidencial e judicializar o tema.

Estadão
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