Agro não pede favor, mas prazo para pagar dívidas, diz presidente da Faesp
Segundo Tirso Meirelles, juros elevados e restrições de crédito não podem deixar o produtor rural fora de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo no País
O presidente da Faesp/Senar-SP, Tirso Meirelles, afirmou que o agronegócio não busca favores, mas prazo para renegociar dívidas e financiar o plantio. Segundo ele, a inflação e juros que chegam a 22% ao ano inviabilizam a rentabilidade no campo. Para reverter o cenário, o dirigente defendeu assistência técnica para elevar a produtividade e a formulação de políticas estratégicas de longo prazo que garantam crédito e competitividade aos produtores rurais.
O presidente do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (Faesp/Senar-SP), Tirso Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 25, que o produtor rural precisa de prazo para reorganizar suas dívidas e recuperar capacidade de financiar o plantio. Segundo ele, os juros elevados e a inflação reduziram a rentabilidade da atividade e agravaram a situação financeira no campo.
"Hoje, a agricultura não está pedindo favor. Nós simplesmente estamos endividados por causa da taxa de juros, por causa da inflação", afirmou Meirelles durante o evento "Agenda Brasil - Crescimento, Emprego e Competitividade", em São Paulo. "Como você pode produzir com 22% de juros? Não tem rentabilidade", acrescentou.
Segundo Meirelles, o custo efetivo do crédito contratado pelos produtores pode alcançar 22% ao ano. "Hoje, você tem uma taxa de 14%, e quando vai tirar do banco, são 22%. É algo que não é pagável. Não tem como", disse. "Nós estamos pedindo prazo para poder pagar, para retirar o recurso, para a gente voltar a fazer o plantio."
O dirigente afirmou que a recuperação financeira do produtor deve vir acompanhada de medidas para elevar a produtividade. Ele citou a assistência técnica e gerencial oferecida pelo Sistema CNA/Senar, com acompanhamento de agrônomos e veterinários nas propriedades, como instrumento para melhorar o desempenho de pequenos, médios e grandes produtores.
Meirelles também defendeu que as políticas para o setor sejam pensadas com horizonte mais longo. "A Agenda Brasil é um projeto de 30, 40 anos. O que nós queremos para o nosso País depois de 30 anos?", questionou. Segundo ele, juros elevados e restrições de crédito não podem deixar o produtor rural fora de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.
O presidente da Faesp também destacou o peso do agronegócio na economia e nas exportações brasileiras e criticou barreiras enfrentadas pelo País no comércio internacional. Segundo ele, o setor precisa conciliar competitividade, acesso a crédito e reconhecimento do papel dos produtores na preservação ambiental.
O evento é realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Estadão e curadoria da Broadcast.
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