Agência do governo prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar mercados após tarifaço dos EUA
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, sobretaxa de 25% vai atingir US$ 7,2 bilhões das vendas aos EUA, de um total de US$ 38 bilhões
BRASÍLIA - O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, disse que vai anunciar em agosto um plano de diversificação de mercados para produtos afetados pela nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos na última quarta-feira, 15.
"Nós reservamos R$ 130 milhões, vamos trabalhar junto com as 57 entidades do setor privado com as quais nós temos parceria. E vamos ter uma estratégia de diversificação específica que a gente vai anunciar já nos primeiros dias de agosto", disse o presidente da ApexBrasil em entrevista à imprensa sobre o tarifaço.
Müller destacou que as tarifas afetam a inflação americana, além do fluxo comercial entre os dois países. Ele exemplificou com o caso do mel orgânico, dizendo que 85% do mel importado pelos EUA é originário do Brasil, o que levou à isenção. Outros setores citados foram o do granito — o Brasil responde por 36% do produto comprado pelos EUA — e o da madeira — 30% do total importado pelos EUA sai do Brasil.
"Atrapalha as empresas americanas e gera impacto de preços, gera inflação nos Estados Unidos. Porque, por exemplo, não há como, de uma hora para outra, o americano que tem 30% do seu suprimento de madeira para construção no Brasil buscar em outro local", argumentou.
Segundo o presidente da Apex, na primeira manifestação do governo americano, em torno de US$ 20 bilhões das exportações do Brasil estariam isentas, valor que foi ampliado para US$ 23 bilhões.
"Vamos continuar o trabalho, juntos com o setor privado brasileiro, junto com as empresas brasileiras, junto com as entidades brasileiras, na diversificação, e vamos continuar trabalhando, junto com as empresas e as entidades americanas, inclusive, para aumentar a isenção nos Estados Unidos", resumiu.
Tarifaço vai afetar US$ 7,2 bilhões de exportações
Müller classificou as novas tarifas como uma medida "absurda do ponto de vista comercial". Segundo ele, a sobretaxa de 25% vai atingir US$ 7,2 bilhões das vendas aos EUA, de um total de US$ 38 bilhões. "Ela não tem nenhuma lógica com quem trabalha com o comércio internacional", disse.
O presidente da ApexBrasil salientou que entidades e empresas americanas que fazem comércio com o Brasil trabalharam para a isenção de produtos brasileiros.
Segundo Müller, São Paulo é o Estado com maior impacto em termos absolutos, com 20% da exportação para os EUA afetada, o equivalente a US$ 3 bilhões. Santa Catarina tem 65% das exportações afetadas.
"Nós vamos seguir firmes o nosso trabalho que a gente já vem fazendo nos Estados Unidos, apoiando empresas e entidades, junto de empresas e entidades americanas, para aumentar a isenção", disse. "Vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira nos setores que foram isentos."
A lista de exceções à nova tarifa veio com uma ampla relação de itens isentos, dentre eles celulose, petróleo bruto e gás natural, bem como aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais. Além disso, a medida não traz novidades para o setor siderúrgico, que segue taxado em 50% para exportações aos EUA.
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