Acordo Mercosul-UE ajuda com EUA, ao mostrar que diálogo pode trazer entendimentos, diz Alckmin
O vice-presidente e ministro afirma que a União Europeia é destino dos produtos vendidos por 22 Estados do País e por 30% dos exportadores
BRASÍLIA - O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira, 9, que a aprovação da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) não tem relação com a política tarifária dos Estados Unidos, mas ajuda no diálogo com o país americano.
"Mostra que o diálogo e a negociação podem trazer avanços, podem superar divergências", disse o vice e ministro, em entrevista coletiva sobre o acordo comercial.
Ele confirmou a expectativa de que o acordo seja efetivamente assinado no sábado, 17, como adiantou o Estadão/Broadcast mais cedo. Segundo Alckmin, a assinatura pode ser feita pelos presidentes ou chanceleres de países do Mercosul e provavelmente vai ocorrer no Paraguai, que está na presidência do bloco sul-americano.
Os impactos do tratado
Indagado sobre os impactos efetivos do acordo para o Brasil, o vice-presidente destacou que o País é eficiente na produção e exportação de produtos agrícolas. Ele observou, ainda, que o segundo principal destino de produtos da indústria de transformação nacional foi o bloco europeu.
Alckmin disse que o acordo comercial vai fortalecer o multilateralismo, a sustentabilidade e os investimentos entre os blocos.
"Em um momento geopolítico difícil, de instabilidade, de conflitos, é fundamental para o mundo", disse. "O acordo mostra que é possível construir o caminho de um comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento do multilateralismo."
Ele explicou que o Congresso brasileiro ainda precisa aprovar uma lei validando o acordo. Se isso for feito no primeiro semestre, o País não vai depender dos outros membros do Mercosul, afirmou.
Alckmin ainda destacou que o acordo Mercosul-UE será o maior do tipo no mundo e é relevante para o comércio brasileiro. Segundo ele, o bloco europeu foi o primeiro ou segundo destino dos produtos vendidos por 22 Estados do País e por 30% dos exportadores. O acordo também deve promover investimentos e sustentabilidade. "É um ganha-ganha", disse.
Alckmin disse que a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a presidência rotativa do Mercosul contribuiu para o avanço do acordo comercial entre o bloco e a União Europeia.
Indagado sobre as ações que contribuíram para a aprovação, durante uma entrevista coletiva, Alckmin respondeu: "O empenho do presidente Lula, como presidente do Mercosul, lutando pelo multilateralismo, e a mudança da postura do Brasil em termos de sustentabilidade, o compromisso do Brasil em acabar com o desmatamento."