Abilio Diniz diz que Casino usa artimanhas para tirá-lo do Pão de Açúcar
O empresário Abilio Diniz acusou a empresa francesa Casino de usar "artimanhas" para retirá-lo do cargo de presidente vitalício do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar. A resposta foi dada durante assembleia do grupo realizada nesta quarta-feira. O acordo de acionistas prevê que Diniz deve ser presidente vitalício, mas sua saída tem sido solicitada pelo Casino por "conflitos de interesses" após a alegação por parte dos franceses de que o empresário pode se tornar o novo presidente do conselho da BRF Foods, proprietária das marcas Sadia e Perdigão, empresa da qual ele também é acionista.
Diniz disse durante a assembleia que a respeito das notícias veiculadas sobre "eventual" eleição dele para o conselho da BRF, não há elemento de natureza econômica ou jurídica que justifique conflito de interesse. Ele afirmou ainda que o pedido dos conselheiros do Casino para que deixe a posição é "insensata e desprovida de qualquer fundamento".
Ele ressaltou ainda que até esta quarta-feira não existe nada de concreto a respeito da eleição para o conselho da BRF, mas que se, no futuro, a hipótese viesse a concretizar-se não haveria nenhum impedimento para o exercício das duas presidências simultaneamente.
O Casino afirmou também durante a assembleia que a acumulação dos dois postos seria conflituosa por causa das "intensas e relevantes relações entre as duas empresas". Ainda durante a reunião desta quarta, a empresa francesa disse que a presença de Diniz nas duas companhias causaria grande desconfiança na diretoria e acionistas do grupo Pão de Açúcar. Além disso, o Casino afirmou que a situação seria desconfortável no mercado de atuação e criaria problemas de interlocução com os demais fornecedores relevantes dos produtos fornecidos pela BRF, que em alguns setores é inclusive concorrente do Pão de Açúcar.
O Cassino afirma que Diniz tem grande acesso a informações, além de participar ativamente dos comitês e indicar membros para outros comitês. "Parece, portanto, claramente incompatível que, ao mesmo tempo, o Sr. Abilio Diniz se torne relevante investidor e membro do Conselho de Administração (e talvez seu presidente) de um dos maiores fornecedores da CBD. (..) Os interesses comerciais da BRF são necessariamente conflitantes e contrapostos com os da CBD".
Os franceses ainda disseram que é "imperativo" que Diniz coloque seus interesses pessoais em segundo plano e privilegie os do grupo e que seria lamentável que ele "pretenda impor sua presença no Conselho apenas por razões pessoais em uma situação de claro conflito de interesses".
Desavenças
Diniz não tem uma relação harmoniosa com o Casino desde que, em meados de 2011, o empresário tentou unir as operações do Carrefour no Brasil ao Pão de Açúcar. O Casino acusou o então controlador da varejista brasileira de tentar minar o acordo de acionistas na Wilkes.
Na mais recente desavença, Diniz levou ao Conselho de Administração do Pão de Açúcar, em dezembro de 2012, a proposta de análise de migração da empresa para o Novo Mercado, ambiente que exige maior governança corporativa. O item foi rejeitado pela maioria dos conselheiros.
Na mesma reunião, foram eleitos os membros do recém-criado Comitê de Governança Corporativa do Pão de Açúcar, deixando Diniz fora do grupo. Ele entendia que deveria ter cadeira no comitê e questionou a competência definida para o órgão, de ser o elo entre a diretoria executiva e o Conselho de Administração - no entendimento do empresário, essa é uma atribuição do próprio chairman.
Menos de duas semanas depois, em 20 de dezembro, Diniz abriu um procedimento arbitral contra o Casino. Um dos objetivos com isso, segundo a assessoria do empresário, é que o grupo francês "se abstenha de praticar ações que violem o cargo de Abilio Diniz como presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar".
Desde antes de Diniz transferir o controle do Pão de Açúcar ao Casino, especula-se a respeito de uma possível saída do empresário da empresa com a ViaVarejo, unidade de eletroeletrônicos e comércio online do grupo. Essa alternativa esfriou nos últimos meses, segundo fontes. E, agora, parece perder força diante do movimento da venda parcial das ações de Abilio no Pão de Açúcar.
Com informações da Reuters