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A indústria brasileira e as ações pela sustentabilidade

Sob liderança da CNI, setor apresentará na COP-28 iniciativas na agenda de descarbonização

2 dez 2023 - 00h12
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A indústria brasileira terá participação recorde na COP-28, a 28ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, entre 30 de novembro e 12 de dezembro. Além da presença de mais de cem empresários do setor, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) terá, pela primeira vez, um estande próprio na Área Azul, gerenciada pela Organização das Nações Unidas (ONU), onde ocorrem as negociações.

Marco regulatório

No momento, no entanto, o setor ainda precisa ter segurança jurídica para ganhar tração. Isso depende de um um marco legal equilibrado — hoje em discussão no Congresso Nacional — que crie um ambiente propício para fomentar os investimentos e permitir que os projetos com pedidos de outorga saiam do papel.

Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, só com um marco regulatório devidamente aprovado seria possível começar a fazer a fila de projetos andar. Mesmo assim, não seria tudo do dia para a noite. "Se o primeiro leilão para cessão de áreas offshore acontecer no ano que vem, os vencedores precisariam de cerca de três anos para realizar estudos e mais três anos para desenvolver os projetos. Só em 2030 teríamos turbinas rodando", avalia.

Isso não significa que o Brasil vá perder a onda. Além de ventos muito bons para a geração de energia, o País tem uma das competências-chave para viabilizar projetos offshore. "São poucos países no mundo que têm capacidade para utilizar o oceano, e o Brasil tem essa competência", pontua Gomes.

Ele acrescenta que, no mundo todo, o segmento offshore ainda é incipiente. "Pelo lado da engenharia e da estrutura empresarial, todo mundo está parecido. Resolvida a regulação, conseguiremos nos aproximar", prossegue.

E nem tudo nessa espera é, necessariamente, negativo. Os custos da eólica offshore têm caído rapidamente. "Em média, 40% a cada três anos", diz Elbia.

Não quer dizer que todos os 78 projetos que estão no Ibama venham a se tornar realidade um dia. "O número grande é importante porque indica que os investidores estão muito interessados no Brasil, mas o número que será construído vai depender das condições do mercado", completa a presidente da ABEEólica.

Hidrogênio de baixo carbono

A revolução da eólica offshore seria só um primeiro passo. O estudo da CNI aponta que essa nova fonte tem grande potencial para alimentar um segundo salto tecnológico: a produção de hidrogênio renovável. A molécula que hoje é obtiva a partir do carvão e do gás natural, poderia ser produzida pela hidrólise da água — chamado hidrogênio de baixo carbono. No entanto, consome muita energia que precisa vir de fontes renováveis.

Embora alerte que haja um "equívoco" nessa identificação entre e hidrogênio de baixo carbono e eólica offshore,

Elbia aponta que a demanda da produção de hidrogênio será uma grande oportunidade para todas as renováveis. "Incluindo a offshore", diz.

Gomes se mostra otimista em relação a essas novas oportunidades. "O Brasil pode ser muito grande mesmo nesse processo de desenvolvimento de nova industrialização do mundo", encerra.

O Brasil no comando da economia global

Com a presidência no G-20 e liderança no B-20, País se destaca na agenda para enfrentamento das mudanças climáticas

Em 1º de dezembro, o Brasil assumiu a presidência do G-20, o que lhe confere posic¸a~o de protagonismo no grupo composto pelas 19 maiores economias do mundo e pela Unia~o Europeia. No mesmo dia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) passou a comandar o B-20, grupo formado por representac¸o~es empresariais dos mesmos pai´ses que formam o G-20, criado para defender os interesses da iniciativa privada em cada um dos temas debatidos no fo´rum mundial.

Essa coincide^ncia de presenc¸a em cargos de comando confere ao Brasil, e especificamente a` indu´stria brasileira, a oportunidade de conduzir discusso~es e influenciar poli´ticas econo^micas globais, recomendando ac¸o~es concretas para influenciar a agenda do bloco. Agora, a` frente do B-20, a indu´stria brasileira tem a oportunidade de impulsionar as suas prioridades.

O B-20 Brasil é composto pelo chair Dan Ioschpe, presidente da Ioschpe-Maxion. Ele tem o papel de liderar e de representar grupo empresarial na comunidade internacional, definindo as principais diretrizes. Quem também compõe o B-20 é a sherpa Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI. Ela coordenará os trabalhos do secretariado e apoiará o chair e a liderança empresarial nas funções-chave no secretariado do grupo.

Dan Ioschpe, chair do B-20 Brasil, diz que grupo vai propor recomendações inovadoras e de impacto para as maiores economias do mundo
Dan Ioschpe, chair do B-20 Brasil, diz que grupo vai propor recomendações inovadoras e de impacto para as maiores economias do mundo
Foto: Divulgação CNI / Estadão

"Assumir a liderança como chair do B-20 Brasil é uma responsabilidade de grande magnitude. Minha missão é estruturar um processo que una líderes empresariais dos países do G-20 para formular recomendações que reflitam os desafios e as oportunidades atuais. As expectativas são altas para que o B-20 Brasil desenvolva recomendações inovadoras e de impacto. Esperamos que essas discussões fomentem a cooperação internacional no enfrentamento dos principais desafios globais, contribuindo para um crescimento global sustentável e inclusivo", afirma Ioschpe.

Como destaca o diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia da CNI, Rafael Lucchesi, essa é a oportunidade, tambe´m, de desempenhar um papel de destaque na promoc¸a~o da sustentabilidade e na luta contra as mudanc¸as clima´ticas, alinhando-se aos temas que marcara~o os encontros entre membros de governos e representantes da indu´stria na COP-28. "A agenda clima´tica e a necessa´ria descarbonizac¸a~o da economia mundial sa~o uma grande oportunidade para o Brasil se tornar refere^ncia mundial, especialmente neste momento em que o Pai´s assume a preside^ncia do G-20 e do B-20?, diz.

Essa possibilidade, na visão de Lucchesi, é reforçada por uma atuação do setor industrial brasileiro que já vem sendo pautada pela união entre a busca por produtividade por meio da adoção de boas práticas, em uma agenda focada na promoção da sustentabilidade. E com a importância do combate às mudanças climáticas e da descarbonização da economia mundial, a indústria brasileira se posiciona como uma referência global.

"O Brasil tem apostado em uma agenda de promoção da sustentabilidade e de luta contra as mudanças climáticas, sem deixar de lado o avanço da produtividade e o desenvolvimento econômico, conduzidos por meio de temas transversais, como tecnologia e inovação, inclusão e financiamento", comenta.

A intersecção entre G-20 e B-20 também se dá pela estreita relação comercial entre a indústria nacional e os países que compõem o grupo. Para o setor industrial brasileiro, no comércio de bens industriais, em 2022, o G-20 representou 67% das exportações brasileiras (US$ 121,5 bilhões) e 83,8% das importações (US$ 203,1 bilhões) de bens da indústria de transformação, o que evidencia a relevância das discussões e dos acordos que acontecem dentro desse fórum global para o setor produtivo nacional.

Agora, à frente do B-20, a indústria brasileira tem a oportunidade de impulsionar as suas prioridades, como destaca o diretor da CNI. "Nos próximos meses, a indústria terá um papel central para liderar e guiar a construção de consensos e prioridades de políticas econômicas globais a fim de subsidiar as discussões do G-20 com as maiores economias do mundo", diz.

Estadão
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