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2 milhões de pessoas trabalham em plataformas digitais de serviços no Brasil, aponta o IBGE

Segundo pesquisa, trabalhadores de aplicativos têm carga horária semanal de 5,4 horas a mais que a média brasileira, com rendimento praticamente igual

4 set 2026 - 11h53
(atualizado às 12h02)
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Resumo
Segundo o IBGE, cerca de 2 milhões de brasileiros trabalhavam em plataformas digitais em 2025 (1,9% dos ocupados), a maioria no setor de transporte (58,9%). O perfil predominante é masculino (84,4%), jovem e autônomo (86,8%). Embora tenham rendimento médio mensal de R$ 3.147, similar ao mercado tradicional, esses profissionais cumprem jornadas maiores (44,7 horas semanais), resultando em ganho por hora 12% menor. A busca por flexibilidade e a falta de outros empregos são as principais motivações.

RIO - Cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam em plataformas digitais de serviços no Brasil em 2025, o equivalente a 1,9% de toda a população ocupada no período. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho por meio de plataformas digitais 2025, divulgada nesta sexta-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa investigou o perfil socioeconômico e as condições de trabalho em aplicativos de transporte particular de passageiros, aplicativos de entrega de comida e produtos e aplicativos de serviços gerais ou profissionais.

As plataformas foram o único ou principal trabalho para 1,8 milhão de pessoas (92,1% do total) em 2025 e o meio secundário para 182 mil trabalhadores (9,3%). Para 28 mil pessoas (1,5%), os aplicativos eram tanto o trabalho principal quanto secundário. Além disso, 38,8% dos trabalhadores plataformizados trabalhavam de forma exclusiva por aplicativo e com apenas uma plataforma.

As plataformas eram o trabalho principal para 1,8 milhão de pessoas em 2025
As plataformas eram o trabalho principal para 1,8 milhão de pessoas em 2025
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

As edições anteriores da pesquisa, realizadas em 2022 e 2024, investigaram as plataformas apenas como trabalho único ou principal. Em 2022, os aplicativos foram a principal fonte de trabalho para 1,3 milhão de pessoas, o equivalente a 1,5% da população ocupada no setor privado, contra 1,7 milhão em 2024 (1,9% da população ocupada).

"As plataformas têm oferecido oportunidades de geração de renda para muitos trabalhadores e permitido que as empresas alcancem novos mercados e reduzam custos. Por outro lado, representam um importante desafio para as condições de trabalho", afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, ao comentar os resultados.

Homens são maioria trabalhando em apps

Para traçar o perfil sociodemográfico, a renda e a jornada de trabalho desses trabalhadores em 2025, o IBGE considerou apenas o contingente que utilizava as plataformas como trabalho único ou principal. Os homens correspondiam a 84,4% do total de trabalhadores de plataformas no ano passado, enquanto as mulheres representavam 15,6%.

Em relação à faixa etária, o IBGE observou uma alta concentração na população jovem adulta. O grupo de 25 a 39 anos respondeu por quase metade dos plataformizados, com 47% do total. O estudo não detalha a faixa etária para cada tipo específico de plataforma de serviço. Os indivíduos com ensino médio completo ou superior incompleto formavam a maior categoria, com 62,5% dos plataformizados, ante 45,3% entre os não plataformizados.

Os trabalhadores por conta própria correspondiam a 86,8% dos trabalhadores em aplicativos. Os empregadores eram 4,5% dos plataformizados e os empregados no setor privado representavam 8,1%. Entre os do setor privado, 4,5% tinham carteira assinada e 3,5% não tinham.

O IBGE ressalta que o valor contrasta com a distribuição entre o total de ocupados do setor privado, composto por 43,8% de empregados com carteira assinada, 28,9% de trabalhadores por conta própria, 15,1% de trabalhadores sem carteira e 4,7% de empregadores.

Motivos para trabalhar em plataformas

Os motivos declarados por profissionais que têm as plataformas como trabalho principal concentraram-se em três fatores: flexibilidade de horários e dias de trabalho (26,8%); não conseguir encontrar outro trabalho (24,6%); rendimento ser maior do que em outras opções disponíveis (20,8%). A complementação da renda foi apontada por 16,6%.

Já entre quem exercia o trabalho em plataforma como atividade secundária, 87,7% desejavam complementar a renda. Os demais motivos somaram apenas 12,3%.

O Sudeste respondeu por 55,3% do total de trabalhadores em plataformas de serviço no país, com 1,083 milhão de pessoas. O Nordeste respondeu por 19,7% do total do país; o Sul por 11,7%, o Centro-Oeste por 7,3% e o Norte por 6%.

Jornada de trabalho maior

Os trabalhadores em plataformas de serviços cumpriam uma jornada média de 44,7 horas semanais em 2025, o que representa 5,4 horas a mais do que a jornada dos demais trabalhadores ocupados do setor privado, de 39,3 horas, segundo a pesquisa.

Embora a jornada média semanal dos profissionais de aplicativo tenha registrado uma redução gradual de 1,7 horas desde 2022, quando era de 46,4 horas, ela permanece substancialmente superior à do mercado de trabalho não plataformizado.

O rendimento médio dos trabalhadores de plataformas, por sua vez, ficou em R$ 3.147, praticamente igual ao de trabalhadores do mercado tradicional (R$ 3.148). Como consequência, o rendimento-hora médio do trabalhador de aplicativos ficou em R$ 16,2 por hora, 12% inferior ao das demais ocupações (R$ 18,4/hora).

"Mesmo que os trabalhadores de aplicativos tivessem maior flexibilidade para trabalhar, para escolher onde e quando trabalhar, ainda assim a jornada de trabalho era maior", destacou Geaquinto Fontes.

58,9% dos trabalhadores de aplicativos estão em plataformas de transporte

Os aplicativos de transporte particular de passageiros concentram o maior contingente de trabalhadores de plataformas. Essa categoria empregava cerca de 1,155 milhão de pessoas, equivalente a 58,9% do total de trabalhadores em aplicativos de serviços no país em 2025.

A maioria atuava em plataformas de transporte particular de passageiros, sem considerar os de táxi, totalizando 1,056 milhão de profissionais (53,9%). Os aplicativos específicos de táxi empregavam uma minoria de 232 mil pessoas (11,8%).

A segunda categoria mais representativa foi a dos aplicativos de entrega de comida e produtos, utilizada por 585 mil pessoas, o que equivale a 29,9% dos trabalhadores plataformizados no país. A soma das participações das plataformas de transporte e de entregas atinge 88,8%.

Segundo Geaquinto Fontes, a maior parte dos entregadores é formada por motociclistas, embora também haja motociclistas atuando em aplicativos de transporte de passageiros, como os mototáxis.

No segmento de entrega, 376 mil pessoas exerciam diretamente a ocupação de entregador (19,2%), ao passo que as demais utilizavam as plataformas para captar clientes para os seus próprios negócios de comércio ou serviços de alimentação.

Já as plataformas voltadas para a prestação de serviços gerais ou profissionais registravam a menor adesão, sendo apontadas por apenas 313 mil trabalhadores, ou 16% do contingente total.

Falta de opção é principal motor de motoristas e entregadores

A dificuldade de encontrar outro trabalho foi a principal causa apontada tanto por quem trabalha em plataformas de transporte de passageiros exceto táxi (33,4%) quanto por trabalhadores de aplicativos de entrega (26,9%). A flexibilidade de horários e o recebimento de rendimentos maiores que em outros serviços disponíveis foram as demais razões apresentadas.

A PNAD Contínua identificou que 1,974 milhão de pessoas declararam a condução de automóveis como atividade principal em 2025, um aumento de 4,9% em comparação a 2024 e de 20,5% frente a 2022. Desse total, 45,9% estavam em plataformas - alta de 26% frente a 2022.

"O porcentual de motoristas de aplicativo aumentou de 2024 para 2025 no total de condutores. Em 2025, quase 46% do total de motoristas tinham o aplicativo como trabalho principal", afirmou Geaquinto Fontes.

Para os condutores de motocicletas no trabalho principal, estimou-se um contingente de 1,179 milhão de pessoas em 2025, um aumento de 12,3% em comparação a 2024 e de 22,6% frente a 2022. Desse total, 34,4% - um salto de 91,9% ante 2022, o que significa que o grupo de motociclistas de aplicativo quase dobrou em três anos.

Estadão
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