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William Waack se emociona ao relembrar cena com crianças na guerra: “Volta muito forte”

Apresentador chegou a ser sequestrado em sua longa trajetória como correspondente em conflitos bélicos

26 fev 2026 - 09h54
(atualizado às 09h55)
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Em entrevista ao economista Marcos Lisboa para o ‘Brazil Journal’, o apresentador William Waack, da CNN Brasil, ficou com os olhos marejados ao rememorar uma experiência de guerra.

“Eu vi um hospital de crianças no sul do Irã…”, disse. Emocionado, ele parou de falar por um instante.

“Não dá”, explicou, ainda comovido. “Volta muito forte. Hoje, mais forte do que na época, porque na época eu era ‘machão’ e encarava essas coisas tipo ‘eu estou aqui como repórter’.”

(Abaixo, assista ao trecho.)

Waack provavelmente se referiu à cobertura da Guerra Irã-Iraque, de 1980 a 1988, ou a da Revolução Islâmica em 1979.

Em outro trabalho de campo, ao acompanhar a Guerra do Golfo em território iraquiano, o jornalista e seu colega Hélio Campos Mello foram sequestrados por homens do ditador Saddam Hussein. A libertação ocorreu após oito dias.

O veterano afirma que testemunhar atrocidades diariamente provoca abalo profundo. 

“Todas as tuas emoções — de compaixão, de solidariedade, de indignação cívica, moral e pessoal — são suspensas porque, afinal, você está cumprindo uma missão profissional”, argumenta.

“Esse escudo te protege, mas te violenta por dentro. Hoje, eu sinto mais emoção do que sentia na época.”

William Waack afirma que o jornalista na guerra acaba se violentando emocionalmente ao tentar se distanciar do horror que vê
William Waack afirma que o jornalista na guerra acaba se violentando emocionalmente ao tentar se distanciar do horror que vê
Foto: Reprodução

O retorno para casa nunca é fácil, assegura Waack. “Quem cobriu muito tempo de guerra tem uma dificuldade de readaptação muito grande… Na volta, não existe uma vida normal. A guerra suspende todos os seus parâmetros normais.”

O apresentador revela ter desenvolvido um “cinismo muito grande” devido ao que viveu nas trincheiras. 

“Eu me arrependo, hoje, nas minhas relações humanas, pela forma como eu me conduzi durante muito tempo depois”, afirma.

“Eu separava as pessoas entre as que eu dizia ‘com essa eu posso ir para a guerra, com essa não dá para ir para a guerra’, e isso é completamente equivocado.”

William Waack, de 73 anos, se tornou um dos mais experientes correspondentes de guerra brasileiros. Com sólida formação aqui e na Alemanha, trabalhou em grandes jornais, como o 'Estadão'. Na televisão, passou pela TV Cultura, Globo e GloboNews. Na CNN Brasil, apresenta o telejornal analítico noturno 'WW'.

@braziljournal TRAUMA. Antes de se tornar âncora de telejornal, William Waack construiu sua trajetória na linha de frente. Na imprensa escrita, cobriu conflitos como a Revolução Iraniana, a dissolução da Iugoslávia e a Guerra do Golfo — onde foi feito prisioneiro. No dia a dia, Waack presenciou abusos graves contra civis, crianças e até colegas de profissão. No episódio de estreia da nova temporada do Lado B, ele relata a Marcos Lisboa como essas experiências moldaram — e deformaram — suas relações humanas. “Eu me conduzi de maneira completamente equivocada por um bom tempo da minha vida,” diz. Na conversa completa, o também cientista político analisa o confronto Irã–Israel e percorre outras etapas de sua biografia. E faz um diagnóstico sobre a imprensa contemporânea: “A minha profissão acabou. Ela foi trocada por influencers.” Lado B, com William Waack. Disponível no Spotify e em braziljournal.com. #LadoB #BrazilJournal #WilliamWaack #Jornalismo ♬ som original - Brazil Journal
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