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'Viver a Vida' exagera na abordagem social

24 mar 2010 - 15h05
(atualizado às 15h06)
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Viver a Vida parece cada vez mais inspirada em programas de ação comunitária. Diante de sucessivos desencontros da história entre personagens que não decolaram, como os protagonistas Helena e Marcos, de Taís Araújo e Zé Mayer, que não deixaram qualquer vestígio de química em cena, o autor Manoel Carlos mudou o foco. Teve de direcionar sua trama para a talentosa Alinne Moraes, na pele de Luciana, que acabou se transformando no centro das atenções da história. Com isso, todos os assuntos giram em torno das dificuldades passadas pelos cadeirantes. Mérito da produção do folhetim, que conseguiu levantar dados interessantes, equipamentos de última geração para a sociabilidade dos deficientes físicos, como camas apropriadas, talheres e demais utensílios adaptados e até projetos sociais que mostram como um cadeirante pode frequentar uma praia e ter qualidade de vida sem passar por tantas restrições. Todas essas abordagens são de extrema importância e uma ação social digna de prêmios.

Mas a overdose em exibir cada uma dessas inovações é entediante. Na contramão de esmiuçar diversos tipos de superação, todas as lentes da trama se voltaram para esse núcleo e para os sorrisos e lágrimas da vitoriosa Luciana. Com isso, a história deixou de abordar outros assuntos relevantes, como a Medicina Paliativa, que trata de pacientes terminais e de igual importância social. O tema, defendido pelas médicas Ariane e Ellen, papéis de Christine Fernandes e Danielle Suzuki, respectivamente, foi desperdiçado até o momento em tramas superficiais. Bárbara Paz, cuja personagem Renata serviria para discutir a anorexia alcoólica, até chegou a ter destaque, mas de forma subjetiva e sem se aprofundar no tratamento.

Na verdade, todos os temas da trama apresentados para o público mal conseguem fugir do aroma de éter e da assepsia dos cenários hospitalares. A trama está doente nesta reta final e sem projeções de cura. Não houve uma aposta maior em temas mais leves, folhetinescos, menos densos para um produto que tem como maior finalidade o entretenimento e não a obrigatoriedade do tedioso dever de ser politicamente correto a cada bloco de capítulos.

Os respiros na história só existiram no início da produção, que explorou com inspiração os belos cenários de Búzios, os desfiles de moda e as paisagens da Jordânia na sempre interessante fotografia do diretor Jayme Monjardim. Agora, no entanto, os momentos de frescor na história são os passeios de Luciana, de Alinne Moraes com a impagável atuação de Mateus Solano como os gêmeos Miguel e Jorge. Ou as constantes brigas entre Ingrid, de Natália do Vale, e seus filhos gêmeos.

Isso sem falar nas tomadas do morro Dona Marta, no Rio, com takes quase cinematográficos. A sensação que se tem é de tramas paralelas em histórias que não se cruzam, que não se completam num mosaico ainda indefinido. Viver a Vida ainda passa despercebida se comparada à profusão das talentosas histórias já escritas por Manoel Carlos.

Miguel e Luciana
Miguel e Luciana
Foto: Divulgação
Fonte: TV Press
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