O apresentador do Cidade Alerta, Marcelo Rezende, durante entrevista exclusiva ao Terra, no início de fevereiro, na qual falou sobre a rotina de trabalho, as manifestações que se espalharam pelo Brasil e a popularidade do programa policial apresentador por diariamente por ele na TV Record
Desde que reassumiu o Cidade Alerta, em 2012, o apresentador foi responsável pelo aumento da audiência do programa, atualmente mais leve e bem humorado
"O Cidade Alerta guinou de um programa policial para um show de variedades. A base é a notícia, mas de repente a gente bota lá o carrinho, o helicóptero que desce em 3D. Agora, a gente inventou um robô em que aparece a cara do Percival (de Souza). É da hora, divertidíssimo", Rezende diz
O sucesso do programa foi refletido na popularidade do primeiro livro de sua carreira, Corta Pra Mim, lançado em novembro pela Editora Planeta. O movimento repetitivo com a mão durante as noite de autógrafo para promover o trabalho o levaram a precisar fazer uma infiltração. "Era muita gente a cada lançamento: mil, duas mil, três mil... Eu não esperava por isso. Achava que ia lançar um livro, mas aquilo virava um show de rock", ele recorda
Marcelo comemora a boa fase, na qual se vê mais próximo do público do que nunca. "Antes, as pessoas tinham respeito, mas achavam que eu ia explodir ou que ia aparecer uns caras em volta dando tirp, porque sempre estava no meio de confusão. Agora, elas passaram a conhecer mais o meu lado de brincar"
O tom mais leve no programa foi uma escolha do próprio Marcelo. ""Quando me chamaram pra voltar ao Cidade Alerta, eu disse que fazia, mas que só se fosse para ser do jeito que sou no dia a dia. E eu passo a maior parte do meu tempo brincando...", ele explica
Deu certo. E só melhorou depois das coberturas de Rezende durante as manifestações que se espalharam pelo Brasil em junho do ano passado
É um processo lento (a mudança com as manifestações). A gente não vai corrigir um erro de 500 e poucos anos do dia pra noite, mas, sim, com calma, com novas gerações surgindo, com a indignação na alma, que é fundamental, ele analisa
É justamente a indignação do povo que vê como a grande força para mobilizar mudanças: "o que vimos na Copa das Confederações vai vir mais forte na Copa do Mundo. Pode dar ponto facultativo, ajustar para as facções criminosas pisarem um pouco no freio, mas a revolta das pessoas é muito grande. Se os políticos acham que o evento vai ser um palco de felicidade, do meu ponto de vista vai ser também um palco para externar todo o inconformismo do brasileiro. Acredito que é isso que vai acontecer. E espero que seja o que aconteça...
Rezende também criticou a cobertura jornalística das manifestações. "É tanta coisa que eu ouvi a imprensa falar que eu ficava morrendo de rir. Que as manifestações não têm uma proposta. Que proposta? Isso aqui é um país de ladrão! Uma arruaça! O povo quer o mínimo"
Para Rezende, programas focados na segurança pública, como o seu e o de José Luiz Datena, são fundamentais: "eles refletem a verdade e é uma verdade que os governantes não gostariam de ver na televisão"
A entrevista foi concedida dois dias após Rezende voltar de férias, onde aproveitou para curtir um de seus grandes prazeres: tomar vinho. "Negócio de vinho tem muita mentira", ele comenta. "Eu tomo vinho há 30 e tantos anos e vejo uns caras descobrindo cada coisa... Outro dia eu estava num evento onde tinha um monte de 'cara importante'. Aí um deles foi lá e disse que tinha um vinho com gosto de asfalto molhado... Sério mesmo?"
Foto mostra quadro com ilustração de Marcelo Rezende que apresentador mantém em sua pequena sala na sede da Record, em São Paulo