"Sou uma santa", diz Regina Duarte sobre carreira de diretora
- Gisele Alquas
- Direto de São Paulo
Regina Duarte, 65 anos, completa cinco décadas de carreira neste mês. Como homenagem, a atriz ganhou uma edição do Programa do Jô, da TV Globo, dedicada a ela. Simpática, chegou à gravação, realizada nesta terça-feira (28), cumprimentando a plateia. A edição vai ao ar nesta sexta-feira (31). "Uma eterna menina", elogiou Jô Soares no início da entrevista. Sobre a experiência de dirigir sua primeira peça, Raimunda, Raimunda, a atriz brincou: "sou uma santa. Me dou muito bem com os atores. Trabalhei muito, 20 horas por dia, entre escrever e ensaios, mas não cansava porque foi um prazer".
A veterana ainda participa do elenco da produção, atualmente em cartaz em Salvador. Além de esperar o público com os outros atores no saguão, Regina contou que costuma tirar fotos e interagir com a plateia. "Fui acumulando muito aprendizado com diretores. Essa direção veio em uma hora que eu não estava preparada. Procurei diretores para me ajudar e eles ficaram mais empolgados do que eu. Foi maravilhoso. São oito atores, 22 cenários", observou.
Enquanto fotos da carreira da estrela eram projetadas, o apresentador contou que "se apaixonou" por seu trabalhou na época de A Megera Domada, montagem teatral de William Shakespeare, dirigida por Antunes Filho e encenada por Regina em 1965. "Ninguém diria que completa 50 anos de carreira olhando para ela", derreteu-se Jô.
Como parte da comemoração de seus 50 anos de carreira, a atriz também recebeu a exposição Espelho da Arte, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro. "É uma coisa louca, tem tudo, tudo detalhado da minha vida. Há três anos, o curador me procurou e falou que queria fazer a exposição da carreira", comentou ela sobre o acervo que reúne fotos, figurinos de peças e novelas, objetos e cenários de produções que participou. Apesar de Regina não saber quantos papeis já interpretou, o curador Ivan Izzo afirma que ela viveu 57 personagens na TV e no teatro, sem contar com os do teatro amador.
Direto de Nova York, o jornalista Renato Machado ainda apareceu no telão e relembrou o par romântico que viveu com ela no teatro. "Foi uma honra", disse ele sobre a peça Romeu e Julieta, dirigida por Jô Soares em 1969. A atriz aproveitou a nostalgia para ler um trecho do texto de William Shakespeare e contar que aprendeu muito sobre direção com Jô.
Após serem projetadas fotos comparando Regina e a atriz Alice Braga, ela concordou com a semelhança e opinou: "uma atriz maravilhosa, fazendo um lindo trabalho lá fora". Também no telão, apareceu o diretor Daniel Filho, que questionou Regina sobre como ela consegue manter o sucesso e o ritmo, mesmo com interpretação de tantos personagens diferentes. "Acho que as coisas vão acontecendo, é se entregar com paixão e entusiasmo. Ter uma doação que não se restringe à obra e ao trabalho, e sim a se doar ao público e à imprensa. Enfim, a todos que te admiram", respondeu.
Sobre a pessoa com quem mais contracenou, ela cita Cláudio Marzo. Por outro lado, a atriz falou que nunca esteve em cena com Tarcísio Meira. "Engraçado, já estivemos na mesma novela, mas nunca juntos em cena", contou. Ao relembrar os primórdios de sua carreira artística, Regina contou que já quis até ser pintora: "meus pais se projetaram muito em mim. Eu queria ser pintora, fiz balé, tudo em Campinas. Depois, fiz teste para uma peça e lá descobri que era isso que queria. Comecei a trabalhar em novela, fiz teste para A Megera Domada e passei. Foi um personagem delicioso".
Além de comentar que gostaria de atuar na peça Quem Tem Medo de Virgínia Woolf, do dramaturgo norte-americano Edward Albee, Regina falou sobre a filha, Gabriela Duarte. "Ela se inscreveu no concurso do Faustão para entrar na novela Top Model (1989). Ela estava na escola e só seguiria na carreira se terminasse. E terminou", contou a mãe, que sempre acreditou que Gabriela seguiria seus passos.
O sucesso de Regina não se restringiu apenas às terras brasileiras. A atriz ainda relembrou que, em uma viagem a Londres, foi abordada por um motorista de táxi, que a reconheceu por sua personagem Malu, de Malu Mulher (1979), série da TV Globo exibida em vários países. Para finalizar, ela declamou um trecho de Cartas a um Jovem Poeta, obra do poeta alemão Rainer Rilke. Muito aplaudida pela plateia, a atriz encerrou: "depois de 50 anos, não olho para trás. Vivo o agora e o agora está sendo maravilhoso".