Série 'Aline' ganha conflitos além do namoro em trio
- Márcio Maio
- Rio de Janeiro
Quando foi apresentada em forma de especial de fim de ano, a história de Aline focava no estranho amor de dois amigos por uma mesma garota que, por sua vez, decidia ficar com ambos. Mas, depois de agradar a direção da Globo e ganhar temporada em 2009, a série encabeçada por Maria Flor, Bernardo Monteiro e Pedro Neschling recebe novos personagens e assuntos mais sérios.
Típicos de jovens adultos em torno dos vinte e poucos anos. "Essa primeira temporada mostra o cotidiano dos protagonistas com humor, música, espírito 'nonsense' e ritmo de quadrinhos", adianta Maurício Farias, diretor geral do projeto.
Na série, que tem sete episódios, Aline enfrenta inúmeras crises femininas e assiste, inesperadamente, à separação dos pais Dolores e Zé, de Malu Galli e Daniel Dantas. Já Otto e Pedro, de Bernardo Monteiro e Pedro Neschling, respectivamente, sofrem as angústias encaradas por jovens na busca por um emprego. Mas, é claro, com a pitada de irresponsabilidade e preguiça mostradas já no programa piloto, exibido em 30 de dezembro do ano passado. "Estamos entre o cartum e o naturalismo. Precisamos ficar entre os dois, sem pesar para nenhum dos lados", analisa Bernardo.
Até as tramas concentradas no elenco mais experiente caem no humor e são tratadas de forma despojada. Dolores e Zé, por exemplo, enfrentam uma crise conjugal com direito até a uma experiência próxima da realidade da filha. Eles tentam engatar uma relação a três também, mas com duas mulheres. Isso depois que Kelly, de Bianca Comparato, se encanta pelo coroa. E Otávio Muller, que não pôde estar no especial de fim de ano, entra na pele do divertido Rico, namorado de Pipo, de Gilberto Gawronski, patrão de Aline.
"Tem muita coisa engraçada nesses episódios. Para ter uma ideia, a Aline dá uma festa no trabalho com direito a uma UTI móvel na porta. Rola uma 'rave' na lojinha", exemplifica.
Garantir a audiência no segundo horário da linha de shows da Globo não é tarefa fácil. Mas Aline conta com uma "forcinha": a série entra no ar logo após A Grande Família, sucesso da emissora há nove anos. "É claro que dá um alívio saber que a série já vai receber um Ibope bacana do programa anterior", entrega Maria Flor, que diz ter perdido três quilos para encarar as cenas mais ousadas. "Vou aparecer de calcinha e em outros trajes menores. Tentei melhorar um pouco o material", brinca.
Para manter o clima de história em quadrinhos, as cenas da série são recheadas de cores fortes, grafismos e outras informações visuais em geral. O figurino, até por se tratar de uma trama que se passa em São Paulo, ganha muitas peças sobrepostas - reforçando a ideia de Terra da Garoa - e estilos misturados.
Combinando , a trilha sonora mescla canções da MPB, batidas eletrônicas e rock dos anos 70. A música ganha ainda mais força na história por Aline trabalhar em uma loja de discos. "Os jovens hoje em dia vivem cercados de músicas de todos os tempos, que conhecem através da internet, que escutam em seus MP4", justifica Maurício.