Seriado 'C.S.I. Nova York' chega à TV aberta
A estréia de C.S.I. Nova York, na Record, completa o franchise da série policial no Brasil, iniciada com C.S.I. Las Vegas. É mais um sucesso do produtor Jerry Bruckheimer, que no cinema lançou bombas pesadas como Pearl Harbor, A Lenda do Tesouro Perdido e Armageddon.
Na TV ele é quase onipresente, com Desaparecidos e Arquivo Morto, que o SBT apresenta, Eleventh Hour, exibido pelo canal fechado Warner, e The Amazing Race, do Discovery.
Com exceção do C.S.I Miami, no qual o ator David Caruso, como o policial Horatio Caine, confere um pouco de ação aos episódios - com perseguição, tiros e luta corporal -, a família C.S.I. tem nos cadáveres suas estrelas, cujos tecidos e excreções são minuciosamente reviradas em busca de evidências que apontem para a "causa mortis".
Ao mesmo tempo que as séries exibem um certo humor negro, no qual o legista de Las Vegas Albert Robbins, interpretado por Robert Hall, é insuperável, há uma dessacralização absoluta com o corpo humano, reduzido a "coisa", sem solenidades.
Na versão nova-iorquina, o verniz científico é ainda mais acentuado. Dentro de jalecos impecavelmente brancos, Gary Sinise - o detetive Mac Taylor - e a bonita Melina Kanakaredes - cuja personagem tem um nome digno de "bond girl": Stella Bonasera - resolvem todos os crimes com pesquisa de DNA, análise de poeira, microscópios eletrônicos de varredura, computadores de última geração e outros equipamentos de dar inveja a cientista da NASA.
É, literalmente, ficção. Especialmente em países onde o exame de DNA ainda é mais comum entre namoradas de jogadores de futebol do que em investigações criminais.
Mesmo exames datiloscópicos ou uso de luminol - que outro dia um grande jornal carioca classificava como "uma nova substância", quando foi inventada em 1928 - costumam ser raridade na absoluta maioria dos casos policiais. A solução dos crimes costuma vir de duas maneiras singelas: delação e violência.
Polícia mal-aparelhada, Justiça lenta e prisões medievais estão a anos-luz das descobertas assépticas da investigação científica, cuja importância é obviamente superestimada em C.S.I., na qual os próprios técnicos passam a fazer serviço de polícia, como colher depoimentos e prender suspeitos.
Lei e Ordem, outra série policial americana, volta e meia achincalha os peritos e os põem para correr. Velhos hábitos demoram a desaparecer.