Seis acertos fazem de I Love Paraisópolis sucesso imediato
Quem diria que a instável faixa de teledramaturgia das 19h se transformaria na 'salvadora da Pátria' da Globo no ano que a emissora festeja seu cinquentenário.
Após algumas novelas malsucedidas, o canal teve um êxito inesperado, Alto Astral, de Daniel Ortiz, exibida até o último dia 8 com relevante crescimento de audiência no horário.
E agora a Globo brinda o sucesso instantâneo da sucessora, I Love Paraisópolis, de Alcides Nogueira e Mário Teixeira.
A primeira semana de exibição da trama foi — desculpe a expressão antiga — um colosso. Ocupou o posto de maior ibope da emissora por cinco dias consecutivos.
Teve audiência acima da do Jornal Nacional e do folhetim das 21h, Babilônia. Em seus primeiros seis capítulos, I Love registrou média de 26.3 pontos, 1 ponto a mais que a média de Babilônia no mesmo período.
A tradução desse número: 26.3 pontos no Ibope equivalem a cerca de 1,8 milhão de domicílios (e 5 milhões de telespectadores) somente na região metropolitana de São Paulo.
É como se 50 comunidades do tamanho de Paraisópolis, que inspira a trama, estivessem ligadas na novela ao mesmo tempo. Multiplique isso pelo resto do país. Gente que não acaba mais — plateia ideal para o merchandising de grandes anunciantes.
O blog aponta 6 pontos positivos que ajudam a explicar o sucesso imediato da novela:
.História simples - Uma heroína jovem movida pelo sonho de melhorar de vida por meio de trabalho duro. Quem resiste a essa premissa? As tramas de I Love Paraisópolis são clichês bem contatos: mocinha disputada por dois bonitões, relação de amor e ódio entre mãe e filho, vilões movidos por ambição financeira, conflito entre ricos inescrupulosos e pobres batalhadores. Não há nenhuma novidade nisso, mas a embalagem está bem feita e atrativa.
.Triângulo convincente - Bruna Marquezine (Marizete), Maurício Destri (Benjamin) e Grego (Caio Castro) inserem bastante carisma em seus personagens. Mari é uma heroína romântica e ética, mas está longe de ser chata. Benjamin é quase um príncipe de conto de fadas, porém apresenta humor ácido que o humaniza. Grego se mostra ambíguo: faz o tipo bandidão ao mesmo tempo em que parece um adolescente apaixonado. Os três personagens funcionam bem tanto juntos como separados.
.Edição ágil - Os diretores Wolf Maya e Carlos Araújo condensaram vários capítulos, às vezes transformando dois em um. Isso acelerou o ritmo da trama nos primeiros episódios. Muitas cenas foram cortadas, principalmente de personagens secundários. O destaque ficou para o núcleo principal. A estratégia se revelou positiva. O público se familiarizou rapidamente com o perfil e a motivação dos personagens principais.
.Vilãs atraentes - Letícia Spiller está inspirada na pele da ricaça Soraya, obcecada em expulsar os moradores de Paraisópolis para construir um mega projeto imobiliário no local. Tresloucada, ela oscila entre a futilidade e a arrogância, com pitadas de comédia. A outra antagonista é a amargurada Margot, rival de Marizete na disputa por Benjamin. Trata-se de uma composição interessante de Maria Casadevall. A atriz conseguiu um registro de interpretação bem diferente de suas personagens anteriores em TV, as 'maluquinhas' Patrícia de Amor à Vida (Globo) e Lili de Lili, a Ex (GNT).
.Direção de arte caprichada - Ao contrário do morro Babilônia da novela das 21h, mostrado de maneira superficial, a comunidade de Paraisópolis tem presença marcante na produção das 19h. É quase um personagem vivo. O cenário real é bem explorado, e a reprodução de ruas da favela no Projac reflete o alto investimento na construção da cidade cenográfica. É um passeio interessante tanto para quem nunca esteve numa comunidade parecida como para os que moram em uma.
.Boa dose de humor - A novela tem personagens cômicos que funcionam bem, como o mordomo Júnior (Frank Menezes). Ele finge ser 'nobre' do Morumbi para esconder a origem humilde em Paraisópolis, onde era conhecido como Juneca Purpurina. Suas piadas exploram o conflito de classes: é desprezado pela patroa Soraya e, ao mesmo tempo, menospreza os empregados que estão sob suas ordens. Tatá Werneck (Danda) faz uma versão de seu tipo cômico característico e já tão conhecido. Há quem a critique pela atuação às vezes repetitiva. Em I Love Paraisópolis, esse tom de humor 'esquizofrênico' é um contraponto eficiente à protagonista, Mari.
I Love Paraisópolis, segunda a sábado, 19h30, Globo.