BBB22: "Ataques a Linn evidenciam dor diária", diz advogada
Juliana Souza, defensora da cantora, afirma que suposto autor dos ataques pode pegar mais de seis anos de reclusão
A equipe de Linn da Quebrada, de 31 anos, anunciou no último domingo, 30, que registrou uma ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, em São Paulo, após tomar ciência de um blog contendo ataques racistas, transfóbicos e até ameaças de morte contra a cantora, que está confinada no BBB22.
Responsável pela defesa da artista, Juliana Souza revelou à reportagem do Terra que a equipe soube dos ataques através da base de fãs da cantora. O teor do blog, por mais pesado que seja, por sua vez, não surpreendeu a defensora de Linn. Para ela, é algo comum de se esperar do país que mais mata LGBTs no mundo.
“O que está acontecendo com ela é apenas um demonstrativo da dor diária que pessoas transexuais passam todos os dias”, afirma.
Ao falar sobre o que viu no site em questão, Juliana relata algumas postagens preocupantes, como uma em que o autor não se refere exatamente a Linn, mas sim à comunidade negra. Em outra publicação, o dono do blog cita a cantora de maneira pejorativa e até ameaça matá-la caso a veja na rua.
"É um conteúdo bastante revoltante”, diz a advogada.
Após estudar o blog e recolher provas, Juliana abriu a ocorrência contra o suposto autor do blog, L. X, que está sendo investigado pela DECRADI pelos crimes de homotransfobia, racismo e injúria. No momento, a Polícia Civil está com o caso, porém a intenção da defesa de Linn da Quebrada é que o episódio evolua para um processo civil.
“Já apresentamos a denúncia, agora é com o Ministério Público. Cabe eles iniciar a ação ou não. Estamos acompanhando as diligências e colaborando para que isso aconteça”, aponta Juliana Souza.
BBB do racismo?
Não é apenas Linn da Quebrada que tem sofrido com ataques racistas nas redes. Nesta semana, a Polícia do Rio de Janeiro identificou o autor de ameaças e insultos racistas contra Douglas Silva, outro participante negro do 'BBB22'. O criminoso, segundo as autoridades, é Aristides Braga, que pertence a um grupo de neonazistas.
A delegada Andrea Mattos, que investiga esses grupos, explica que este tipo de comportamento é típico de jovens que passam horas na frente do computador e que não têm vida social ativa.
"No digital, eles sentem-se invencíveis e se desnudam”, afirmou ela ao programa 'Fantástico' do último domingo (30).
Ao falar sobre a penalidade para este tipo de delito, a defensora de Linn da Quebrada é cautelosa, e diz que a decisão cabe à análise do juiz, conforme cada caso. Entretanto, em uma previsão hipotética, levando em consideração os crimes de injúria, racismo e ameaça, a advogada Juliana Souza avalia que a pena pode passar dos seis anos de reclusão.
“As pessoas precisam se reeducar, se revisitar, saber que o Brasil é, de fato, um país construído a sangue e suor por pessoas negras, transexuais e LGBT como um todo. Nós somos e devemos ser respeitados. Crimes assim não serão tolerados e as pessoas que tentarem furar [a lei], serão responsabilizadas. Ódio não é liberdade de expressão”, alerta.
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