Novela da Globo teve polêmica racial com elenco há 9 anos
Uma obra da Globo sofreu graves acusações ao usar artistas brancos para interpretar orientais; saiba mais
Há 9 anos, a novela Sol Nascente chegava nas telas da Globo e com muita polêmica envolvida ao seu redor. A maior delas foi o chamado yellow-face, ou seja, quando atores brancos fizeram papéis de pessoas orientais. Outro tópico que chamou a atenção posteriormente foi a substituição da atriz principal: Danni Suzuki saiu e Giovanna Antonelli entrou. Além disto, a trama não envolveu o público.
Polêmica racial
A escalação de Luís Melo para Tanaka causou uma grande acusação de whitewashing (o termo usado para escalação de atores brancos para interpretar personagens de outras etnias). Luís é mestiço, com ascendência indígena, porém a caracterização do personagem foi enxergada como japonês. Nilson Xavier, do Teledramaturgia, relembrou que no texto foi explicado que ele era filho de japonês com americanos. Alice, papel de Giovanna, foi dita como uma filha de criação. Grupos de filiação oriental questionaram e cobraram a Globo por não colocar atores de origem nipônica em sua produção.
Em 2020, quatro anos depois da novela ter iniciado sua exibição, Suzuki revelou que Walther Negrão teria feito o papel da personagem principal para ela e baseado em sua história de vida. Walther, então, teria modificado a história após ser obrigado a colocar Antonelli no protagonismo. Em 2025, Danni falou ao podcast Papagaio Falante: "Chegou no dia, a protagonista escolhida tinha sido a Giovanna Antonelli, que é a esposa do Leonardo (diretor da novela). Ela é mais velha. Veio a esposa e quem sou eu para reclamar. A personagem era uma japonesa. Inclusive, eles reescreveram a história para explicar que ela foi adotada para justificar já quem nem oriental ela é. Na novela, ela usava kimono, coque com palito na cabeça… Cheguei em casa, o Léo me pede desculpas e disse que eu estava muito velha para ser prima da protagonista e que iriam escrever um terceiro personagem."
Audiência boa, mas enredo ruim
A audiência fechou com 21 pontos, considerada uma boa média e se tornou - na época - a maior entre as produções das 18h. Xavier pontuou na sua pesquisa sobre a trama que a novela teve "uma história mal alinhavada e preguiçosa, em um texto piegas". Outro ponto foram os esteriótipos humanos clichês: família italiana, família japonesa, motoqueiros cobertos de tatuagens. Nunca ganhou uma reprise.