Nova série conta como três quarentões encaram a meia-idade
- Eric Deggans
Melhor começar dizendo que o seriado já oferece uma piada pronta: um homem de uma certa idade resenhando Men of a Certain Age.Mas ainda que eu seja um crítico de mídia de 44 anos, e orgulhoso disso, não estou muito convencido quanto ao admirável trabalho da rede TNT para mostrar como três quarentões encaram a meia-idade, especialmente em um momento no qual outros seriados, como Cougar Town, com Courteney Cox, parecem defender a ideia de que hoje em dia ter 40 anos é como ter 20.
(Se isso é verdade, por que tanta coisa está afrouxando? Ou estou confessando o que não deveria?)
O mínimo que se pode dizer é que Ray Romano, quatro anos depois do final de seu Everybody Loves Raymond, um seriado de grande sucesso na rede de TV ABC, parece ter encontrado um projeto novo digno de atenção. Originalmente desenvolvido para a HBO, esse drama cômico gira em torno de três amigos da época de faculdade cujas vidas continuam entrelaçadas agora que eles se aproximam dos 50 anos.
Mas o seriado tem algo de muito maior -um golpe de audácia vindo de um talentoso comediante cuja aparente insegurança o leva a ser subestimado por Hollywood. O maior prazer da nova série é assistir a Romano em sua segunda vida como artista, em um momento no qual outros comediantes de sua geração estão se dedicando a apresentar game shows e produzir reality shows (Jerry Seinfeld, Drew Carey e Jeff Foxworthy, estou falando de vocês.)
Joe, o personagem de Romano, é um comerciante neurótico, como seria de esperar, e teve sua vida pessoal arruinada por um hábito pessoal destrutivo que não mencionarei aqui. Vivendo em um hotel e lutando com os sentimentos que ainda abriga por sua ex-mulher, Joe vive no limbo, e tenta descobrir o que levou sua vida a perder o rumo, enquanto deslumbra os amigos com observações sobre coisas como o peso que perde ao urinar (o recorde é de um quilo).
Scott Bakula é Terry, um ator irresponsável e mulherengo que nunca conquistou grande sucesso, e troca de namorada tão rápido que nem percebe o quanto isso lhe custa em termos emocionais. Andre Braugher é Owen, um marido humilhado pela mulher e empregado como funcionário na loja de carros usados de seu pai. O emprego não é seu ideal, e seu pai perdeu a confiança nele.
Como muitos seriados, Men of a Certain Age melhora com a passagem de mais episódios, e com o domínio maior dos roteiristas sobre os personagens. O primeiro encontro de Joe com uma nova mulher, relatado por ele em flashback durante um almoço com os amigos, é a parte mais engraçada dos cinco episódios a que assisti.
O show vai estrear na noite desta segunda-feira (7), e segue abaixo uma lista do que este crítico de uma certa idade gosta e não gosta naquilo que assistiu.
Os acertos: Romano é a carta mais forte e surpreendente, aqui, lidando com as viradas dramáticas de seu personagem tão bem ou até melhor do que as cenas cômicas. (Não foi por acaso que ele terminou indicado ao Emmy como ator.) É um prazer assistir a um programa com atores que não parecem ter evoluído muito desde o segundo grau, e cuja idade mental não parece ter saído ainda da casa dos 20 anos, por mais que seus corpos discordem.Os erros: Os primeiros episódios se concentram demais em detalhes depressivos: ficamos submersos diante dos problemas existenciais de Joe, a carreira estagnada de Terry, a humilhação de Owen por seu pai e a briga da mulher dele com um colega mais jovem do marido na loja. Nós, homens de uma certa idade, podemos enfrentar certas dificuldades ao envelhecer, mas queremos ver que há diversão, e esperança, em saber um pouco mais da vida, aos 40, do que sabíamos aos 20.
Para gravar: A série The Closer retorna com novos episódios nesta segunda-feira, na TNT. Para os fãs mais antigos, assistir aos novos episódios é como ir a um bar com velhos amigos; a família de personagens que cerca Brenda Leigh Johnson (Kyra Sedgwick), comissária assistente da polícia de Los Angeles, é boa assim. Em lugar de tratar das dificuldades de uma mulher do sul dos Estados Unidos ao se transferir para a unidade de homicídios da polícia de Los Angeles, a série agora gira em torno da excêntrica família de investigadores de Johnson em sua luta contra o resto do mundo. Relaxe e aproveite.
Para não gravar: Alice, no canal SyFy. Com seu potencial de imagens alucinógenas e interpretações exageradas, não é de admirar que tantos filmes e programas de televisão se apaixonem pelas possibilidades oferecidas por uma reinvenção de Alice no País das Maravilhas. Infelizmente, o novo esforço da SyFy se unirá à lista dos fracassos, a despeito da produção dispendiosa e de um elenco que inclui Kathy Bates como a Rainha Vermelha e Harry Dean Stanton como a Lagarta. A culpa é de um roteiro tolo que transforma Alice em mais uma menina apaixonada em busca do amor perdido em um mundo perigoso ¿uma espécie de Bella, da série Crepúsculo, mas sem os vampiros bonitões.
Não perca a diversão de Dexter
Eu jamais imaginei que escreveria essa frase, mas Dexter, do canal Showtime, pode ser o programa imperdível desta temporada. As temporadas anteriores tendiam a começar lentamente e terminar em ritmo frenético, e este ano a situação se repete. Michael C. Hall (Dexter) é um assassino serial de Miami que se especializa em matar outros assassinos, e este ano enfrenta seu maior desafio na forma de outro sujeito comum tornado homicida, o chamado Trinity Killer. Eis uma curta lista de motivos para que Dexter, que exibirá seus dois últimos episódios esta semana e na próxima, seja considerado o melhor seriado da TV hoje em dia:John Lithgow: um ator ferozmente talentoso aprisionado no corpo de um simpático pai de meia-idade, Lithgow está perfeito como Trinity, um assassino que mata inocentes há 30 anos e usa sua família aparentemente perfeita como escudo.
A trama: o penúltimo episódio mostra Dexter compreendendo tarde demais que cometeu um erro ao permitir que Trinity sobreviva depois de descobrir sua identidade, devido à sua curiosidade em descobrir como o assassino pai de família combinava seus dois mundos. Quando ele percebe que Trinity controla sua família pelo terror, já é tarde demais. A filha de Trinity: No episódio anterior, fomos informados de que uma repórter que namora um detetive da polícia de Miami e amigo de Dexter é na verdade a filha de Trinity. Será que ela denunciará o pai à polícia antes que Dexter tenha a chance de matá-lo?
A cena final do penúltimo episódio: Sem oferecer detalhes demais, ela envolve o momento de confronto entre Trinity e Dexter pelo qual todos os fãs esperavam desde o começo da temporada.