Mercado publicitário questiona se Globo continua no ‘vermelho’ ou superou prejuízo
Emissora se mostra disposta a sacrificar o lucro para manter os investimentos em tecnologia e aumentar a produção para o digital
A Globo respirou aliviada em dezembro, quando Jair Bolsonaro assinou o decreto de renovação de suas cinco concessões por mais 15 anos. Foi o fim de longa novela a respeito do tema.
Agora, o mercado de TV especula a respeito de outra questão delicada: a situação financeira do maior grupo de mídia do País. A Globo conseguiu voltar ao ‘azul’?
Em 2021, apesar de ter faturado R$ 14,4 bilhões, o conglomerado da família Marinho registrou prejuízo de R$ 173 milhões.
O aumento do custo das operações e a retração de verbas publicitárias por conta da pandemia de covid-19 colaboraram para o resultado negativo.
Disseminadores de fake news espalharam que a Globo estava à beira da falência. Tal risco não existiu. O canal mantém em dia o pagamento das dívidas e possui reservas suficientes para cobrir a totalidade dos débitos.
Em abril de 2022, o grupo carioca divulgou a previsão de lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no trimestre anterior. Um resultado animador que sinalizava aumento de receitas e o efeito positivo dos cortes de despesas fixas.
Depois, não houve outro comunicado em relação à situação financeira da Globo. O balanço do último ano deverá ser revelado este mês ou em abril.
O mercado publicitário prevê o impacto da Copa do Mundo do Catar nas contas da emissora. Em um comunicado interno na TV, houve alerta a respeito de provável prejuízo com o evento.
As receitas acima de R$ 1 bilhão com patrocinadores teriam sido insuficientes para cobrir os direitos de transmissão pagos à FIFA e a manutenção de dezenas de profissionais no País-sede do torneio.
Apesar das dificuldades, a cúpula da Globo se mostra determinada a cumprir a previsão de investimentos em tecnologia (especialmente para o Globoplay) e diversificar o conteúdo. O canal amplia a produção voltada às plataformas digitais de olho no público jovem.