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Lobão se destaca como repórter de 'A Liga': "é como férias"

21 abr 2012 - 14h27
(atualizado às 14h36)
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Márcio Maio

Virar apresentador de tevê estava longe da lista de desejos de Lobão. Mesmo assim, não teve dúvidas em aceitar o convite para integrar o elenco do jornalístico A Liga, da Band. No programa, o cantor se reúne aos colegas Thaide, Débora Villalba, Sophia Reis e Cazé para tentar mostrar uma mesma notícia, mas a partir de pontos de vista diferentes. Como, por exemplo, no episódio sobre ouro, quando Lobão foi parar em um garimpo, acompanhando a vida de quem trabalha com isso. "Eu, que sou visto como maconheiro maluco, estou em uma das maiores audiências da Band. Isso é um tapa na cara de quem me despotencializa", apregoa.

Como surgiu o convite para integrar a equipe do A Liga?

Cara, quando me chamaram, o Rafinha (Bastos) estava saindo. Mas ele é meu amigo. Eu primeiro telefonei para ele e falei 'olha, os caras estão me chamando'. Ele me deu umas dicas até. E, se eu tiver de falar alguma coisa dele, é que nos gostamos demais. Eu o admiro bastante. Então, foi uma entrada tranquila. O programa me agrada, esses argentinos da Cuatro Cabezas (produtora dona do formato do A Liga, CQC e de outros programas da Band) têm uma ousadia que ninguém tem na tevê aberta brasileira.

Você já teve experiência na tevê com a MTV. De que forma isso o ajudou em A Liga?

Ah, eu nem posso dizer que tenha qualquer experiência em televisão porque tudo que fiz foi de maneira muito empírica e solta. Não tinha uma direção. Então, eu entrava e falava. Assim como estou agora, dando essa entrevista, eu sentava e começava a falar. Fosse qual fosse o meu papel. Já A Liga tem um chassi e uma linguagem próprias. E facilmente achei meu tom. Nos primeiros dias, eu estava em Manaus, gravando no garimpo, mas muito inseguro. Sem saber se ia conseguir. Na hora que peguei o tom do que entendi sobre o programa, me senti aliviado e feliz. Você consegue entrar em contato com pessoas com profundidade. E essa é uma coisa que eu, como compositor, valorizo. É essencial para escrever músicas.

Até agora, o que de mais inusitado você fez no programa?

Ah, para quem já foi preso como eu, nada é inusitado. Nada pode ser pior do que tudo que já passei. Então, para mim, é tudo férias ali! E como não sou repórter, mas sou bem atirado, extraio coisas por empatia que nenhuma outra pessoa conseguiria. Estou aprendendo, sim, a formular perguntas mais objetivas, desenvolvendo esse traço jornalístico. E aprendo ali, fazendo, na prática. A questão está em entender a linguagem do programa.

O que o levou a aceitar participar de um programa que não tem uma relação direta com a sua carreira de cantor e compositor?

Hoje em dia você tem de ser inofensivo para ser músico, meio Justin Bieber... Se não for daquele padrão, você fica de fora. Eu sou marginalizado, mas chego a lugares que as pessoas não podem imaginar. Quando pensam que eu estou morto aqui, apareço ali. Você vai prendendo outros ofícios que vão ajudando. Fui fazer outras coisas, agregando valores. São informações que vão trazer situações cada vez mais interessantes para a minha carreira, como a revista (Outracoisa), a minha ida para a MTV e, agora, para o A Liga. Sou muito solitário como músico. Percebi que não posso contar com uma pessoa sequer nesse meio. E tem um lado muito subjetivo a minha entrada no programa.

Qual lado?

Eu não tenho a ambição de ser um homem de televisão. Se não me convidassem, jamais procuraria essa vaga. Eu detesto televisão. Gostei, sim, de A Liga, porque esses caras são rock'n'roll. Mas eu sou muito subjetivo. Aquilo é do meu interesse pessoal, é carreira musical também. Eu estou usando A Liga para minha carreira musical, não estou abandonando minha carreira musical para entrar na tevê. Não é essa a estratégia. Aquela é uma plataforma de poder para eu falar. É uma plataforma de poder que eu não tenho. Porque eu não tenho uma classe unida! Tenho ampla visibilidade, mas não adianta a visibilidade sem poder.

Foto: Luiza Dantas / Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: TV Press
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