Globo vive relação tensa ou fria com autores de novelas de sucesso
Dramaturgos respeitados por criar sucessos na emissora perderam espaço e fazem falta na TV
A imprensa repercute o processo trabalhista movido por Euclydes Marinho, 72, contra a Globo. Pede indenização de R$ 3,5 milhões.
Ele fez parte da equipe de roteiristas de produções importantes, como ‘Malu Mulher’, ‘Armação Ilimitada’, ‘A Vida Como Ela É..’ e ‘Sai de Baixo’
Como autor principal, assinou as novelas ‘Mico Preto’, ‘Andando nas Nuvens’ e ‘Desejos de Mulher’, além de escrever outros formatos.
Seu último trabalho direto com a Globo foi a minissérie ‘O Brado Retumbante’, de 2012.
Três anos depois, a emissora exibiu a ‘Felizes para Sempre?’, minissérie produzida pela O2 com texto dele.
Assim como Euclydes, outros veteranos com nome gravado na história da teledramaturgia da Globo perderam espaço na emissora.
Entende-se o natural e positivo processo de renovação de talentos, porém, em alguns casos, valiosos criadores parecem ter sido tratados sem o merecido respeito.
Como entender a dispensa de Aguinaldo Silva após 40 anos na Globo e uma galeria de numerosos sucessos?
Sua criatividade está impressa em produções como ‘Roque Santeiro’, ‘Vale Tudo’, ‘Tieta’, ‘A Indomada’, ‘Senhora do Destino’ e ‘Fina Estampa’.
Em 2020, o canal não renovou seu contrato. O fim da parceria ocorreu após uma novela problemática e de baixa audiência, ‘O Sétimo Guardião’.
Destemido, Aguinaldo fez alguns desafetos na emissora. Entre eles, gente incomodada com seus êxitos. Recentemente, fez um desabafo no Twitter.
“Novela é assim: você escreve, 30 milhões de espectadores durante 6 meses só falam disso, ela termina e, três meses depois, o executivo mor da emissora te chama e diz: ‘é, essa foi legal. Agora faz outra’. Tudo isso como se você tivesse acabado de lavar uma trouxa de roupa no rio”, postou.
Hoje com 79 anos, o autor não tem as portas fechadas na antiga casa. Até porque alguns dos inimigos não estão mais lá. O público sente saudade de seus folhetins com saboroso deboche.
Ainda da velha guarda, Manoel Carlos deixou de escrever para a Globo em 2014, depois da rejeitada novela ‘Em Família’.
Abatido pelas críticas e a fim de produzir histórias mais curtas por conta do estresse do ofício, anunciou que só se dedicaria a minisséries.
Mas desde então nada saiu do papel. Alguns projetos foram citados na imprensa, sem um efetivo início de produção.
Mestre em retratar a classe média e os dramas familiares, Maneco, hoje com 89 anos, é merecedor de mais atenção e espaço no canal.
De sua imaginação saíram obras inesquecíveis como ‘Por Amor’, ‘Laços de Família’ e ‘Presença de Anitta’.
Neste ano, após 4 décadas, Alcides Nogueira não teve o vínculo estendido pela Globo.
Foi colaborador ou autor principal de ficções bem-sucedidas, a exemplo de ‘O Salvador da Pátria’, ‘A Próxima Vítima’, ‘Força de um Desejo’ e ‘Tempo de Amar’.
Sua dispensa aumentou a fila de dramaturgos dos velhos tempos que não têm mais o crachá da emissora. Entre eles, Elizabeth Jhin, 73 anos (‘Espelho da Vida’, ‘Escrito nas Estrelas’, ‘Eterna Magia’).
Outros roteiristas famosos, como Miguel Falabella, 65 (‘Salsa e Merengue’, ‘A Lua Me Disse’, ‘Aquele Beijo’) e Maria Adelaide Amaral, 80 (‘Sangue Bom’, ‘TiTiTi’, ‘Anjo Mau’) não conseguiram emplacar novos projetos.
O diretor de produção da Globo, Ricardo Waddington, 61, e o diretor de teledramaturgia, José Luiz Villamarim, 59, sinalizam a intenção de priorizar autores mais novos, com tramas que surpreendam.
Por enquanto, essa fórmula não apresentou grandes resultados.
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