Ficarei mais preto que o Obama, diz repórter da Globo
A liberdade de expressão usufruída nos canais pagos é bem maior do que a permitida aos profissionais que trabalham em emissoras abertas.
Um exemplo disso foi visto pelos telespectadores do 'GloboNews em Pauta' exibido na sexta-feira (10).
"Vou ficar mais preto que o Obama até o fim desse verão aqui no hemisfério norte", disse Jorge Pontual, correspondente da Globo e da GloboNews em Nova York.
Assim, pinçada fora do contexto, a frase pode até ser interpretada como uma piada racista. Quem assistiu ao programa certamente não teve essa impressão.
O repórter explicou que estava bronzeado por ter esquecido de aplicar protetor solar e usar chapéu durante a gravação de uma matéria na praia.
Pontual provavelmente jamais faria o mesmo comentário em suas matérias e entradas ao vivo nos telejornais da Globo. A repercussão seria negativa.
Já na GloboNews a declaração foi feita sem autocensura, livre da cartilha do politicamente correto adotada pela maioria das TVs brasileiras.
Para o bem do jornalismo, é necessário consultar o alvo da piada: será que Obama acharia graça?
O episódio suscita a velha discussão sobre o limite do humor. Há quem defenda uma fronteira, a fim de preservar 'vítimas' recorrentes como negros, mulheres, gays, judeus etc.
Outros não aceitam qualquer patrulhamento sobre a comédia. Argumentam que censurar o humor seria antidemocrático.
O 'GloboNews em Pauta' pode ser classificado como um programa de bate-papo, no qual jornalistas de diferentes áreas comentam assuntos revelantes do dia.
É comum ver o âncora Sérgio Aguiar e os três participantes de cada edição (há um rodízio de especialistas em economia, política, cultura etc.) recorrerem ao humor.
A atração abre espaço para citações pessoais e autoironia. O fato de ser ao vivo e com liberdade total para os comentários a faz parecer uma conversa entre amigos.
E, entre amigos, às vezes dizemos coisas que não repetiríamos em público.