Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Estrela de 'A Mulher Invisível', Piovani se diz longe da perfeição

1 jun 2011 - 18h18
(atualizado às 18h38)
Compartilhar
Márcio Maio

Com aparições quase bissextas na televisão, Luana Piovani transparece que a teledramaturgia é, sim, capaz de seduzi-la. Tanto que a atriz volta ao ar nesta terça, a partir das 23h, na pele da personagem-título de

A atriz interpreta Amanda em A Mulher Invisível
A atriz interpreta Amanda em A Mulher Invisível
Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias / Divulgação
A Mulher Invisível

. Mas, depois de 18 anos de carreira - ela estreou em 1993, na minissérie

Sex Appeal

-, o que mais busca é independência e satisfação, sensações que uma novela dificilmente traria.

"Eu poderia faturar tanto quanto outras pessoas da minha geração, mas dinheiro não significa necessariamente felicidade para mim. Abro mão dele em troca da minha liberdade. Essa é uma conta que agrada mais", garante.

Na história, Luana reencarna a estonteante Amanda, personagem do longa homônimo que deu origem ao seriado. A moça adora futebol, tem pensamentos devassos e circula pela casa do publicitário Pedro, de Selton Mello, sempre com roupas minúsculas e, na maioria das vezes, íntimas. Seria perfeita se não fosse mero fruto da imaginação inquieta do rapaz, que é casado com Clarisse, papel de Débora Falabella.

"Há um triângulo amoroso, mas a gente não assume a infidelidade. A Amanda não é real, então o público não condena. Não é traição", analisa Luana. Para gravar os cinco episódios, ela se dedica seis dias por semana, 12 horas por dia, até o início de junho, quando se encerram as 10 semanas de trabalho previstas. Um período curto e que justifica tamanha torcida por temporadas futuras.

"Na TV, projetos menores me seduzem mais. E temos várias possibilidades de histórias nesse programa. Estou botando o nome do Guel Arraes e do Cláudio Torres (diretores e redatores) no mel para dar certo", exagera.

Terra - Você começou filmando A Mulher Invisível e, agora, grava a série. Quais as diferenças entre os dois formatos?

Luana - Para mim, não mudou muito. É quase o mesmo tempo de trabalho que tivemos. Filmamos o longa em oito semanas. Já a série deve ser finalizada em 10. A qualidade da equipe e do trabalho aqui também é muito alta. Todo mundo é cuidadoso, desde os iluminadores até o diretor de arte e maquiadores. E a gente também não faz muitas cenas durante o dia, que são mais complicadas, o que era uma coisa ótima durante o filme. Então, não sinto tantas diferenças.

Terra - Interpretar uma mulher que não existe no plano real demanda uma atenção especial?

Luana - Até é diferente, mas complica mais para os atores que vão contracenar comigo. Porque eu estou ali, em cena, mas eles precisam se relacionar com um "nada". Não podem olhar para mim e o ser humano tem reflexos. Às vezes, você ouve um som e, automaticamente, se vira para a direção de onde ele vem. Mas isso não chega a ser uma dificuldade. Muitas vezes, cria até um clima engraçado, porque de vez em quando alguém se distrai e me olha.

Terra - A Amanda é o ideal de mulher perfeita criado pelo Pedro. Depois do filme, o assédio do público masculino aumentou?

Luana - Tive um retorno de público grande com esse longa, mas não era algo que chamava muito a minha atenção pelo fato de vir em maior número de homens. O que achei bem interessante foi ouvir muitas coisas de crianças e adolescentes. Essa faixa de público assistiu, gostou e se divertiu. Tem toda a brincadeira de interpretar uma pessoa invisível e, é claro, de ser a bonitona da história.

Terra - Interpretar uma mulher idealizada como perfeita mexe com sua vaidade?

Luana - É uma posição que me deixa muito lisonjeada, não vou negar. Mas devo deixar bem claro que o que é visto ali demora umas três horas para ficar pronto. Aquilo está muito longe do que eu sou na vida real. Aliás, ainda bem que não existe uma mulher perfeita. Seria uma injustiça com todas as outras mulheres, como eu mesma.

Terra - Você aparece quase sempre com poucas roupas, usando muitas vezes apenas lingerie. Isso foi uma preocupação?

Luana - É uma grande exposição, sem dúvida. Mas eu já vinha malhando normalmente. Fiz uma cirurgia no pé, tive de passar por um processo de reabilitação, mas depois que eu consegui voltar a fazer exercícios, só não pude continuar o balé clássico. Eu já estava fazendo musculação e correndo na praia. Quando comecei a gravar, tive de parar de malhar por falta de tempo e, para não correr riscos e dar uma secada, só como carboidratos pela manhã. E conto com uma boa equipe de fotografia, maquiagem, enfim, várias pessoas cuidando para que nada saia do lugar no vídeo. Assim, dá para realmente acreditar que a Amanda é perfeita.

Terra - Como foi o processo de escolha dos figurinos? No filme, você usou as suas lingeries...

Luana - É verdade. Dessa vez, eu comprei tudo, fui às compras. Até porque eu já tinha lido todos os episódios e sabia mais ou menos a quantidade de peças que precisaria. É bom porque dá menos trabalho para a figurinista e para mim também. Lingerie tem de vestir bem e, como fica exposta ali, não dá para ser muito pequena ou apertar. Tudo tem de estar favorável ao meu corpo. Então, corri atrás, mostrei o que eu tinha visto e foi tudo aprovado.

Terra - Você não aceita tantos trabalhos na TV. O que busca para sua carreira?

Luana - Satisfação. E isso só vem com uma boa história. E tem outro lado: se me prende muito, sem me deixar fazer outras coisas, não rola. Para qualquer trabalho, seja de cinema, televisão ou teatro, eu preciso ler e me imaginar como telespectadora. Tenho de gostar da história. Isso é que me bota dentro de um trabalho.

Terra - Recentemente, seus dois primeiros trabalhos na TV foram reprisados no Viva: Sex Appeal e Quatro por Quatro. Você chega a analisar a trajetória que percorreu de lá até hoje?

Luana - Nossa, eu me vi em Sex Appeal e foi uma loucura. Penso que estou em um lugar que me satisfaz hoje, mas quero chegar muito mais longe ainda. Quando olho aquelas cenas, de 1993, vejo ali uma menina bem crua, que não sabia direito o que estava fazendo, mas que tinha instinto. Lembro de gravar uma sequência que propagava o uso da camisinha para reduzir o número de casos de HIV. Eu tinha 16 anos, estava com uma camisola de seda, em uma cama com lençóis também de seda, com o Nico Puig de cueca. Eu nunca tinha me deitado com um homem e estava meio horrorizada. E a primeira vez que eu ia deitar com alguém na cama, com um cenário lindo daqueles, era na frente de 30 pessoas e tudo de mentira. E para o país ver.

Terra - Ao contrário de várias pessoas da sua geração, você buscou o reconhecimento como atriz fora da TV. Por quê?

Luana - Acho que o teatro traz essa dignidade. A construção da minha carreira sempre foi baseada no "devagar e sempre". Tentei nunca dar um passo maior que a perna. Então, vim devagar, fazendo poucos filmes e espetáculos, mas bem selecionados. Hoje deixo para o teatro a realização daquilo que não acontece no cinema e na TV comigo. Por isso mesmo eu me produzo. Se fosse esperar alguém me chamar para fazer O Pequeno Príncipe, ia morrer esperando. O teatro me dá essa autonomia e isso me deixa muito feliz.

Terra - Você apresenta atualmente, no GNT, o Superbonita. Tem vontade de apresentar outros programas na televisão?

Luana - Vontades eu tenho várias. Estou com o piloto de um programa infanto-juvenil chamado Xereta há pelo menos sete anos. Já apresentei para todas as emissoras, mas acho que nenhuma se interessa em investir no público infantil. Preferem comprar um pacotão de desenhos e colocar no ar já pronto. Eu também adoraria fazer o Saia Justa. Quando me chamaram para o Superbonita, perguntei se não queriam um pacotão, tipo dois por um e meio (risos)! Mas era só piada, porque eu sabia que não daria para fazer os dois.

Terra - O que a faz querer tanto trabalhar com o público infantil?

Luana - Olha, dá um trabalho conseguir a grana e juntar gente boa para isso, mas criança me encanta demais. Desde a maneira como ela pensa, se expressa, se envolve, aplaude, a roupa que veste para ir assistir ao espetáculo, tudo! Sou muito ligada e apaixonada por elas. Acho até mais difícil prender a atenção de uma criança. E conseguir patrocínio para trabalhos infantis é outra coisa complicada. Tenho empresas que me patrocinam desde o início, mas ainda não é uma constante no Brasil. Nem todas as empresas têm um orçamento voltado para projetos infantis. O que é um grande erro.

Terra - Você fez alguns trabalhos com o Carlos Lombardi. Ele seria capaz de convencê-la a voltar a fazer novelas?

Luana - Engraçado você dizer isso porque a gente até se encontrou em São Paulo e ele me falou de uma novela dele. Acho que é para o ano que vem. É difícil dizer, tem umas panelas que a gente fica seduzida a querer entrar mesmo. Só que 11 meses é bastante, tem de estar tudo muito a favor. Acho que fazendo um contrato onde a gente consiga ter de quinta a domingo livre, pode ser. Mas ficar presa única e exclusivamente em novela me deixa insegura, não sei se eu renderia tanto.

Terra - E uma segunda temporada de A Mulher Invisível?

Luana - Eu só penso nisso! Tem de ter outra temporada porque temos muitas ideias! Imagina o dia em que a Clarisse criar o homem invisível e ficarem os quatro dentro de casa? Ou quando o Pedro se cansar das duas e aparecer com uma boneca inflável? Não faltam situações para serem trabalhadas. Ali, há um triângulo, mas a gente não assume a infidelidade. O público é a favor da esposa, da mulher, da mãe, a gente compra o barulho da mulher. Mas uma vez que a Amanda não é real, você tem um álibi para fazer funcionar.

Trajetória curvilínea

Luana estreou na TV aos 16 anos, na pele da aspirante a modelo Angel de Sex Appeal, minissérie exibida pela Globo em 1993. Não demorou para cair nas graças dos autores e diretores da emissora e ser chamada para Quatro por Quatro, de Carlos Lombardi, quando interpretou a médica residente Duda. Seu desempenho foi suficiente para que Lombardi repetisse o convite em Vira-Lata e, logo depois, Luana assumisse um dos papéis de destaque da minissérie Labirinto, de Gilberto Braga. Uma trajetória que logo a transformou num dos rostos jovens mais conhecidos do público.

"Sinto falta da época em que eu não era conhecida, que eu pegava um ônibus e ficava com meu walkman, rodando a cidade por vários bairros e olhando o mundo passar pela janela", filosofa. No início, Luana ainda não sabia exatamente a melhor maneira de trilhar sua carreira. Mas a paixão pelos palcos logo se destacou, fazendo com que a atriz desistisse das novelas a partir de 2000, depois de finalizar Suave Veneno, de Aguinaldo Silva. Ao contrário de colegas como Camila Pitanga e Carolina Dieckmann, com quem dividiu cenas em Sex Appeal. Tudo para se dedicar mais às peças e ao cinema. "Se você faz um longa, filma em umas oito, dez semanas. No teatro, ensaia uns dois meses e, depois da estreia, encena de quinta a domingo. Você não trabalha onze meses exaustivamente", critica, referindo-se aos folhetins televisivos.

Agenda cheia

A Mulher Invisível não é o único compromisso de Luana Piovani em 2011. A atriz deve estrear uma peça de Domingos de Oliveira, Turbilhão, no segundo semestre. E também lança em breve o longa Família Vende Tudo, de Alain Fresnot. Isso sem contar o Superbonita, programa que apresenta no canal por assinatura GNT e que se prepara para iniciar as gravações já da próxima temporada. "Eu não consigo ficar parada. Quando fico sem fazer nada, tenho a impressão de que estou perdendo algo", explica.

Trajetória Televisiva

# Sex Appeal (Globo, 1993) - Angel

# Quatro por Quatro (Globo, 1994) - Duda

# Vira-Lata (Globo, 1996) - Wânia

# Malhação (Globo, 1997) - Patrícia

# Labirinto (Globo, 1998) - Virgínia

# Suave Veneno (Globo, 1999) - Márcia Eduarda

# Tudo de Bom (MTV, 2000) - Apresentadora

# O Quinto dos Infernos (Globo, 2002) - Domitila

# Sítio do Picapau Amarelo (Globo, 2003) - Morgana

# Casseta & Planeta, Urgente! (Globo, 2004) - Apresentadora

# Correndo Atrás (Globo, 2004) - Érica

# Saia Justa (GNT, 2005) - Debatedora

# Na Forma da Lei (Globo, 2010) - Gabriela

# A Mulher Invisível (Globo, 2011) - Amanda

Fonte: Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra