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"Estou cada vez mais próximo dessa volta às novelas", diz Selton Mello

17 ago 2010 - 07h58
(atualizado às 08h00)
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Márcio Maio

Ter seu trabalho visto por milhões de pessoas diariamente não é o bastante para Selton Mello. O ator acaba de quebrar um jejum de três anos com a TV - seu último trabalho foi no programa O Sistema, da Globo - como o médico paranormal Dimas de A Cura, e jura querer voltar aos folhetins. Mas assume que sua agenda não permite qualquer tentativa antes de, pelo menos, um ano. Isso porque seus compromissos com o cinema não deixam. "O alcance da televisão me surpreende, mas o cinema me dá agilidade e sou muito preguiçoso", desculpou-se o ator, que cresceu na TV e completa 38 anos em dezembro. Depois de dirigir os longas Feliz Natal e O Palhaço, Selton também pretende comandar gravações na TV. Mas garante que ainda não conversou com ninguém sobre isso. "Gostaria de fazer algo próximo do que o Guel Arraes fez na década de 90, adaptando obras da literatura brasileira", adiantou.

Você recusa a maioria dos convites que recebe para televisão. O que o fez aceitar entrar em A Cura?

O texto foi crucial. Eu também queria trabalhar com o Ricardo Waddington de novo. Trabalhamos junto poucas vezes e de maneiras bem curiosas. A minha primeira novela na Globo foi Corpo a Corpo, em 1984, quando eu tinha 12 anos, que ele dirigia. Depois, nos encontramos em Olho no Olho, em 1993. E agora estamos em A Cura. Espero que nosso próximo encontro não demore tanto. E todo ator quer um grande personagem, seja onde for. O Dimas era irrecusável.

Por que você se volta tanto para o cinema, deixando a TV quase sempre de lado?

O cinema me dá agilidade. Sou muito preguiçoso e você filma um longa em um mês e meio. Posso fazer três trabalhos por ano, dedicar dois meses para cada um e trabalhar pouco.

Foi isso que o fez recusar o convite para Insensato Coração, próxima novela das oito, escrita pelo Gilberto Braga?

Foi sim. Senti pena. Mas acho que estou cada vez mais próximo dessa volta às novelas. Dou muito valor ao alcance da televisão. Fico tocado por falar para muita gente. Às vezes, vivemos num mundo muito daqui, do Rio de Janeiro, da Zona Sul. Vemos os sites, olhamos quem deixou de namorar, quem está com quem e esquecemos que emocionamos e divertimos gente que está lá no Acre, lá em Belém. E que nem está ligada no que a gente faz ou deixa de fazer como pessoa, só como ator. Alguns nem têm acesso à internet. O entretenimento deles é a TV. É um veículo muito poderoso, mesmo com tantas mudanças. Mudanças que estão influenciando a própria TV e a gente percebe isso na programação da Globo. Esse foi mais um motivo para eu aceitar fazer A Cura.

Por quê?

Eles estão apostando em projetos dramáticos mais curtos, temporadas pequenas. Gosto da ideia de fazer uma coisa dramática em um curto espaço de tempo. Sou de uma época na TV em que havia seriados dramáticos, sérios e curtos, como Malu Mulher e Plantão de Polícia. Os americanos fazem isso bem e nós também podemos.

Você disse estar próximo da volta às novelas. O que falta para isso?

Não sei. A questão é que o ator quer se comunicar e a TV permite isso. Às vezes, você se esforça tanto no cinema... Tem um trabalho que eu amo que é o filme O Cheiro do Ralo. Me dediquei tanto, fizemos sem dinheiro algum e deu 170 mil espectadores. Não quero menosprezar esse número, mas não é nada perto da nossa população e da TV. Aí me dá vontade de falar com milhões, como a televisão faz. Recebi algumas propostas nesses anos todos, mas sempre tinha alguma coisa para fazer. Na época de Paraíso Tropical, por exemplo, fui convidado para um personagem maravilhoso, mas tinha Meu Nome Não É Johnny. E eu não queria deixar de fazer o filme e não ia pedir para que o Gilberto Braga fizesse o meu personagem viajar e passar três meses fora da novela. Não tenho cara para sugerir essas coisas. E nem cacife.

Você tem alguma estratégia para sua carreira que faça com que rejeite algumas oportunidades na TV?

Não. Se existe alguma estratégia é a de variar mesmo. Eu vinha fazendo muitos trabalhos cômicos nos últimos anos. Mudar isso foi um atrativo em A Cura. Fiz outras séries antes, mas a TV investia mais na comédia quando usava esse formato.

Você tem atuado como diretor no cinema. Já pensou em dirigir na TV?

Nunca tive esse papo com ninguém, mas sempre bateu a vontade. De repente, um dia, eu apresento um projeto. Estou muito entusiasmado com a direção. Digo até que, nos últimos tempos, estou gostando mais de dirigir do que de atuar.

Que história gostaria de dirigir?

Tenho vontade de fazer algo que o Guel Arraes fez muito bem na década de 90: pegar coisas da literatura brasileira e adaptar. Eu poderia escolher obras contemporâneas, que têm mais a ver com a minha geração.

Artisticamente, a TV satisfaz você?

Sim. Existem muitas coisas bem feitas na TV. Há bons e maus trabalhos em todos os lugares. E gosto é tão relativo. Sou muito eclético. Sou cabeça por um lado e tosco por outro.

O que você tem de tosco?

Depende do que cada um considera tosco. O Zorra Total, humorístico da Globo, por exemplo, é considerado por alguns como tosco. Mas eu assisto àquilo com um prazer enorme porque tem a Katiuscia Canoro, que é genial. Também adoro os quadros com a Fabiana Karla. E curto ver o Raul Gil. Me emociono com os calouros. Ah, eu gosto de tudo! Ou quase tudo (risos).

Você e seu irmão (Danton Mello) traçaram caminhos bem distintos: ele se tornou galã de novelas, enquanto você decidiu ter domínio sobre a carreira e se aventurou no cinema alternativo e também na direção. Como você avalia essas duas trajetórias?

Cada um tem o seu caminho e a sua história. Acho que isso tem até mais a ver com opções de vida do que com questões artísticas. O Danton casou cedo, tem duas filhas e tudo isso faz com que você tenha outras preocupações. Mas a gente é muito próximo, muito amigo. A gente se ajuda, se fala, se critica.

Depois de recusar tantos convites para fazer televisão, não tem medo de se queimar com os diretores e autores?

Não. Trabalho na Globo desde criança e vivo situações de muito carinho. Um dos contrarregras de A Cura, o Brandão, está aqui há 30 anos. Quando ele me vê, pergunta como está a minha mãe. Isso porque quando ela tinha de almoçar e eu estava gravando novela, ainda criança, ela me deixava com ele. Eu ficava brincando e aprendendo. Cresci na Globo. Eles acompanharam de perto todas as minhas escolhas profissionais. Quando eu falei que não queria contrato, não rompi nem briguei com ninguém. Não desdenho, sou educado e eles também são comigo.

Financeiramente, você sente falta de ter um contrato longo com alguma emissora?

Não sinto falta. Liberdade não tem preço. Enquanto eu puder, sigo assim.

Mas chegaria a aceitar um convite de uma emissora concorrente para fazer algum trabalho?

Se fosse um grande personagem, uma história interessante, eu faria sim.

Você tem aparecido bastante em campanhas publicitárias. Foi uma alternativa para a falta de contrato com uma emissora de TV?

Sim. O fato de não ser contratado e não ter uma estabilidade financeira fez com que eu virasse um cara mais necessitado da publicidade. E ela resolveu a minha vida. Posso ganhar dinheiro lá e fazer os trabalhos que quero sem me preocupar tanto com a grana. E não tenho grandes pretensões de ser rico e ter lancha ou casa não sei onde.

A Cura - Globo - Terças, às 22h35.

Questões ideológicas

Selton Mello garante que todas as suas escolhas foram pautadas por interesse artístico. O ator estreou ainda criança, aos 8 anos, na Band, na minissérie Dona Santa e, em seguida, na novela Braço de Ferro. Só em 1984, aos 11, assinou o primeiro contrato com a Globo, para integrar o elenco de Corpo a Corpo. E nunca mais trabalhou em outra emissora. "Sempre tive uma boa relação com a empresa e me sinto respeitado por todos", afirmou, apesar de recusar mais convites do que os que aceita para as produções da emissora.

A última novela de Selton foi há 11 anos, assinada por Gilberto Braga. Em Força de um Desejo, interpretou o bonzinho Abelardo e, ao final de seu contrato, preferiu não renovar o vínculo com a Globo. De lá para cá, o próprio Gilberto já tentou contar com Selton em seus folhetins. E sempre com personagens centrais. Em Paraíso Tropical, por exemplo, Wagner Moura só foi escalado para encarnar o vilão Olavo depois que Selton disse "não" ao papel. "Acho importante frisar que não tenho nada contra a televisão. Mas sempre precisei vivenciar outras coisas", filosofou. Questionado se estaria melhor financeiramente se fosse contratado na TV, Selton garante que sim. Mas se esquiva ao responder o quanto isso foi proveitoso na hora de negociar valores. "Se subiu o meu passe? Talvez...", desconversou.

Agenda cheia

Selton já sabe o que vai fazer assim que terminarem os trabalhos em A Cura: montar o longa O Palhaço, no qual atuou como ator e diretor. "Foi um trabalho rico para mim porque a convivência diária com o Paulo José é muito inspiradora. Talvez um dos maiores atores do Brasil atualmente. Nem o Mal de Parkinson e suas limitações fazem ele parar", elogiou. A ideia é lançar o filme em 2011.

Com a agenda cheia até o fim do ano, Selton pode até dizer que pretende voltar às novelas, mas sabe que tão cedo não poderá assumir qualquer tipo de compromisso longo. Talvez essa volta fique adiada até meados de 2011 ou até 2012, época em que o autor João Emanuel Carneiro deve estrear sua próxima novela das oito. "Não conversamos sobre isso. Já quer me arrumar trabalho?", brincou o ator, demonstrando que a vontade de voltar aos folhetins ainda não superou sua preguiça. "Não sei quanto tempo pode demorar. Não sou de planejar muito, sigo mais a intuição", desconversou.

Trajetória televisiva

# Dona Santa (Band, 1981) - Sidney.

# Braço de Ferro (Band, 1983) - Raimundo.

# Corpo a Corpo (Globo, 1984) - Ronaldo Pellegrini.

# Sinhá Moça (Globo, 2006) - Rafael (Criança).

# Fera Radical (Globo, 1988) - Teodoro.

# O Salvador da Pátria (Globo, 1989) - Guilherme.

# Desejo (Globo, 1990) - João Medeiros.

# Pedra Sobre Pedra (Globo, 1992) - Bruno.

# Olho no Olho (Globo, 1993) - Juca.

# Tropicaliente (Globo, 1994) - Vítor Velasquez.

# A Próxima Vítima (Globo, 1995) - Tonico.

# Guerra de Canudos (Globo, 1997) - Tenente Luís.

# A Indomada (Globo, 1997) - Emanuel.

# O Auto da Compadecida (Globo, 1999) - Chicó.

# Força de um Desejo (Globo, 1999) - Abelardo Sobral.

# A Invenção do Brasil (Globo, 2000) - Diogo Álvares (Caramuru).

# Os Maias (Globo, 2001) - João da Ega.

# Os Normais (Globo, 2003) - Bernardo.

# Os Aspones (Globo, 2004) - Tales.

# O Sistema (Globo, 2007) - Matias.

# A Cura (Globo, 2010) - Dimas.

Selton Mello vive estigma de assassino na série 'A Cura'
Selton Mello vive estigma de assassino na série 'A Cura'
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias / TV Press
Fonte: TV Press
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