Debates de presidenciáveis se tornaram entretenimento e interessam mais aos donos de TV do que ao público
A expectativa está concentrada em ver bate-boca e gafes do que no confronto de ideias e planos de governo
Qual a grande proposta para o Brasil apresentada no debate da Band entre Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante)?
Cri-cri-cri.
É mais fácil lembrar de palavrões, trocas de gentilezas e tentativas de criar cortes para as redes sociais.
O que deveria ser uma tribuna de ideias viáveis para melhorar a vida do cidadão pareceu uma mistura de passeata raivosa, reunião de condomínio e palestra de autoajuda.
Antes tão importante, o debate na Band serviu basicamente para os três candidatos presentes ‘farmar aura’. É muito pouco diante das urgências de um Brasil tão problemático.
No fim, mais entretenimento do que política.
A audiência baixa, com média de 2 pontos, segundo dados prévios, ante os 13.7 pontos do 1º debate na emissora na campanha de 2022, ilustra como o público foi desestimulado a assistir.
Na prática, o evento serve mais para fortalecer o capital político dos donos dos canais do que ajudar o telespectador a fazer uma escolha de voto.
Cada candidato que vai a uma emissora gera uma oportunidade de a TV estreitar relações com dirigentes de partidos e políticos influentes.
Os grandes grupos de comunicação precisam cultivar boas relações institucionais em Brasília, seja à direita ou à esquerda.
Além disso, ganham algumas horas de protagonismo em um mundo cada vez menos interessado em televisão e mais obcecado por redes sociais e streamings.
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