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Relato de assédio sexual gera enorme decepção com a Globo

Matéria publicada pela ‘piauí’ detalha a maneira burocrática e pouco solidária com que a emissora lidou com denúncias de contratados

4 dez 2020 15h54
| atualizado às 16h50
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Inaceitável omissão. Essa é a conclusão após ler a matéria do repórter João Batista Jr. na revista piauí a respeito das denúncias de assédio moral e sexual contra Marcius Melhem na Globo. Fica a impressão de que o canal pouco fez para apurar as graves acusações e oferecer o devido suporte aos denunciantes. Em alguns casos, houve a sugestão de terapia, como se tratar o trauma da vítima fosse o suficiente ao invés de sanar o problema de assédio interno. Chegou-se a produzir um abaixo-assinado em solidariedade ao acusado.

Revoltantes casos de assédio moral e sexual no departamento de humor deixam a Globo sob pressão
Revoltantes casos de assédio moral e sexual no departamento de humor deixam a Globo sob pressão
Foto: Sala de TV

A reportagem está baseada em relatos e atitudes de Dani Calabresa. A humorista viveu verdadeiro inferno na emissora durante o período no qual foi subordinada a Melhem no departamento de humor. Ela merece aplausos por sua coragem de denunciar e, mesmo com a postura titubeante de alguns poderosos da Globo, insistir na batalha contra seu assediador. Na prática, algo só foi feito — o desligamento de Melhem, “em comum acordo” com o canal — após repercussão bombástica na imprensa e nas redes sociais.

Mais uma vez, como acontece reiteradamente em grandes companhias, foi necessário um estrago de imagem na mídia para que a denúncia de assédio recebesse a importância merecida e ocorresse um procedimento efetivo, não apenas retórico. A Globo sai muito mal desse triste episódio. De que adianta produzir excelente minissérie sobre crime sexual como Assédio e exibir matérias a respeito nos telejornais se os próprios colaboradores assediados se sentem frustrados quando denúncias pautadas em testemunhas e provas materiais são relativizadas?

Surge uma questão: será que a família Marinho sabia desses execráveis abusos de poder nos bastidores de sua principal empresa de comunicação? Tal prática odiosa vai contra os princípios éticos do fundador do canal, jornalista Roberto Marinho (1904-2003). Como mostra a matéria da piauí, o sonho de trabalhar na Globo se tornou um pesadelo para vários profissionais talentosos. A emissora não pode reagir apenas com notas evasivas à imprensa. É pouco. A luta contra o assédio moral e sexual exige que se faça bem mais.

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