Da TV para o teatro: Alex Morenno viverá o pintor Van Gogh
Ator de ‘Mundo Novo’ quer voltar às novelas no papel de um vilão
O elogiado filme ‘Com Amor, Van Gogh’ está disponível no serviço de streaming Netflix. O longa de animação apresenta visual deslumbrante: todas as imagens seguem o estilo pictórico do pintor holandês. Vincent Van Gogh viveu apenas 37 anos. Era considerado insano e cometeu suicídio disparando um tiro contra o peito.
Hoje, seus quadros estão entre os mais caros do planeta. Em 2015, a pintura ‘L'Allée des Alyscamps’ foi arrematada em leilão por 66 milhões de dólares, cerca de 215 milhões de reais em cotação atual.
O ator Alex Morenno prepara um espetáculo a respeito do artista pós-impressionista.
Como surgiu a ideia de interpretar Van Gogh?
Eu estava ruivo por conta de um trabalho. Em um ensaio do musical Cartola - O Mundo É Um Moinho, a atriz Adriana Lessa me disse: ‘Alex, você deveria fazer Van Gogh!’. Depois disso, conversamos mais sobre o assunto e outras pessoas começaram a me chamar de Van Gogh por conta do visual. Pronto, foi o start necessário para criar o projeto. Há alguns anos estive no Museu Van Gogh, em Amsterdam, na Holanda, e fiquei fascinado. Jamais imaginei que um dia eu o faria no teatro.
Como foi a preparação para o papel?
Estamos buscando patrocinadores para viabilizar o projeto. Mas desde que a ideia surgiu, eu venho de alguma forma me preparando. Leio, assisto a filmes, ouço músicas que me inspiram, vejo seus quadros com um olhar mais atento. A inspiração é o próprio Van Gogh. Sua complexidade me dá bastante material.
Van Gogh é conhecido por ter cortado parte da própria orelha e não ter feito sucesso em vida. Como é viver personagem verídico tão dramático?
Sim, a vida dele não foi nada fácil. Era incompreendido, não vendia quadros, não conseguia se relacionar afetivamente... Procuro ter empatia, me colocar no lugar dele e ver o que de alguma forma também está presente na minha vida, ainda que de outra maneira. O espetáculo não será uma biografia de Van Gogh, mas um recorte sobre a possível relação que ele teve com outro artista genial, o francês Paul Gauguin. Um olhar poético sobre a relação dos dois. João Paulo Lorenzon fará o pintor Gauguin. Eu o chamei não só porque admiro profundamente seu trabalho, e isso já lembra um pouco a história dos dois, mas também porque desde que nos encontramos no Núcleo Experimental do Sesi, em 2004, existia esse desejo de atuarmos juntos um dia.
Qual quadro de Van Gogh mais o impressiona?
Noite Estrelada, sem dúvidas. A obra retrata a vista da janela de um quarto de hospício em Saint-Rémy-de-Provence, um pouco antes do nascer do sol. Isso mexe comigo profundamente. Imaginar esse homem pintando ao longo da noite, num manicômio, transformando suas dores em arte...
Na Globo, você fez as novelas Cama de Gato e Novo Mundo. Como avalia seu trabalho na teledramaturgia?
Foram dois trabalhos bem diferentes um do outro e em épocas distintas da minha vida. Em Cama de Gato, eu me divertia muito, era leve, brincava o tempo todo dentro e fora de cena. Em Novo Mundo, meu personagem já tinha outra intensidade, era um cara ambicioso, fazia parte de uma família complicada, irmão de Domitila (Agatha Moreira) e Benedita (Larissa Bracher). Claro que me divertia também, mas precisava de outro tipo de concentração pra chegar no tom certo do Francisco. Durante um tempo ele foi visto como vilão, e eu adorava isso. Torço muito para em breve interpretar um vilão daqueles que são hostilizados na rua, sabe? (risos)
Você declarou ter o sonho de trabalhar com Adriana Esteves. De onde surgiu a admiração por ela?
Adriana Esteves é uma grande atriz. Lembro que, ao assistir a Avenida Brasil, eu dizia: ‘Cara, essa mulher dá tudo em cena, deve voltar pra casa exausta’. E aquilo me inspirava muito. Na série Justiça ela também detonou. Ela vai do drama à comédia maravilhosamente bem e dá veracidade para suas personagens! Adriana, te amo! (risos)
Novela que mais gostou de assistir: ‘Avenida Brasil.’
Personagem que gostaria de ter interpretado: ‘O Alexandre (Guilherme Fontes) de A Viagem. Tá vendo? Minha história com os vilões é antiga.’
Atores com quem gostou de contracenar: ‘Heloísa Périssé e Caco Ciocler, entre muitos outros.’
O que gosta de ver na TV: ‘Séries e minisséries, tanto na TV aberta quanto na internet. Sou viciado, vejo de tudo, inclusive coisas bem duvidosas que jamais vou ter coragem de contar.’
Maior aprendizado na carreira de ator: ‘Ter um bom ouvido e ser generoso.’