Com Laerte, Marisa Orth fala de romance, sexo e 'crise de ativos'
Um papo íntimo a dois, mas com milhares de testemunhas anônimas. Assim pode ser definido o talk show que a cartunista Laerte acaba de estrear no Canal Brasil.
Marisa Orth foi a primeira entrevistada do 'Transando com Laerte'. Formada em Psicologia pela PUC-SP, a atriz e cantora exercitou seus conhecimentos para fazer análises (sempre bem humoradas) sobre amor, relações humanas e sexualidade.
O programa tem apenas 15 minutos. Apesar da curta duração, o episódio com Marisa Orth rendeu vários momentos interessantes.
Reféns de estereótipos
"Até que ponto a obrigação de seguir modelos, essa caretice que a gente tem interna, faz a gente não ver o amor que tá do lado?", questionou a atriz, que está em cartaz com o show 'Romance Volume III' às terças-feiras, 21h, no teatro Porto Seguro.
Laerte comentou: "Às vezes você acha que a coisa (o relacionamento) não está funcionando porque não está correspondendo a um modelo, a algo que te ensinaram".
A necessidade de ter alguém
Marisa revelou a angustia sofrida num longo período no qual ficou solteira. "Tentava me apaixonar, tentava namorar, mas não dava", contou. "Eu tinha inveja de saleiro e pimenteiro. Tudo o que era par, eu tinha inveja. Isso é uma loucura."
A artista acredita que as dores de amor são democráticas: "Eu gosto de temas onde todo mundo é igual. Morte, sexo, romance. Você termina uma relação e diz 'agora aprendi, não vou mais cair nesse truque'. Dá três meses e você cai. (…) No iate ou na favela, os textos de uma briga de casal devem ser parecidos. (…) Sou meio romântica, fico querendo achar que todo mundo é igual."
Passivos & ativos
Considerada musa dos gays por seu apoio à causa LGTB, Marisa Orth contou de maneira debochada um problema relatado por homossexuais de seu círculo de amizade.
"Meus amigos gays dizem ter uma crise de ativos", relatou. De acordo com a atriz, muitos homossexuais se dizem ativos, porém na hora 'h' aplicam um tal 'tgm'. "Truque da galinha morta. A bicha já está lá de bruços."
Nesse momento, Laerte, ícone do movimento transexual, riu muito.
Masculino x feminino
"A gente é falocrata, adora o pau, o pênis", afirmou Marisa, ao defender a tese de que as mulheres ainda são alvo de desprezo e discriminação na sociedade atual.
"O homem tá aprendendo o quê com a mulher, se feminilizando? O pior da mulher: a coisa do narcisista. (…) A mulher se ama através do olho do outro. 'Eu gosto dele porque ele gosta de mim.'(…) O que que a mulher tá aprendendo com o homem? Essa coisa do ativo. 'Sou objeto, mas vou ser minha autocafetina.' É a coisa da revista Nova: 'faça ele de trouxa'", teorizou a atriz.
No final do papo, Marisa Orth, 51 anos, fez uma confissão. "Eu tô ficando religiosa, bicho. Tô ficando espiritual. (O que importa) é o amor de um ser humano pelo outro. A gente se dar menos importância e dar mais importância para o outro."
Arte em tempo real
Enquanto acontecia a conversa, os cartunistas Rafael Coutinho (filho de Laerte) e Thiago 'El Certo' Lacerda eram mostrados desenhando uma história.
Laerte também desenhou, mas na abertura do programa, quando fez uma intervenção na porta de vidro da sala de sua casa, onde o programa é gravado, usando o personagem Minotauro.
Num efeito visual, o tipo mitológico aparece sentado numa poltrona ao lado da de Laerte, como se fosse um entrevistado. A criatura saiu do cartum para interagir com sua criadora na TV.
A primeira temporada do 'Transando com Laerte' terá 26 episódios. Entre os entrevistados, o cantor e compositor Tom Zé, o ator Gregório Duvivier (Porta dos Fundos) e o jornalista Xico Sá.
A atração vai ao ar toda terça-feira à meia-noite no Canal Brasil. O programa com Marisa Orth está disponível no site da emissora.