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Maju ofendida na vida real, negra discriminada em novela

4 jul 2015 - 01h39
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Fotos: Divulgação/TV Globo
Fotos: Divulgação/TV Globo
Foto: Sala de TV

Menos de 24 horas após a postagem de ofensas racistas contra Maria Júlia Coutinho na página do Jornal Nacional no Facebook, outra mulher negra tornou-se alvo de discriminação.

O caso aconteceu no capítulo de ontem da novela das 19h da Globo, I Love Paraisópolis. A ficção retratou uma realidade cotidiana.

Patrícia, a psicóloga interpretada por Lucy Ramos, foi destratada pelo vilão da trama, Gabo (Henri Castelli).

Ao encontrá-la numa sala de sua empresa, o empresário exigiu, num tom agressivo, que ela lhe servisse um café, imediatamente associando a cor da pele de Patrícia a uma função subalterna. No caso, copeira.

Ao se dar conta do equívoco, Gabo tentou se redimir. "É claro que se eu tivesse reparado direito no seu porte, na sua beleza, não teria falado uma coisa dessas. Nem de longe você parece uma copeira", disse, pretensamente sedutor e duplamente preconceituoso.

"Não acho demérito nenhum ser copeira. Por acaso, sou psicóloga", respondeu Patrícia, que foi à empresa visitar a melhor amiga, a arquiteta Margot (Maria Casadevall).

Numa cantada barata, Gabo foi do racismo ao assédio: avisou que iria procurá-la caso viesse a precisar de terapia. O comentário teve explícita conotação sexual.

Não foi o primeiro episódio de discriminação racial sofrido por Patrícia. Ao assumir o consultório de outra psicóloga, ela viu vários pacientes desistirem do tratamento pelo fato de ser negra.

A própria atriz é um exemplo de superação. Nascida em Recife (PE), cresceu numa favela na periferia de São Paulo, onde ainda moram alguns familiares. Em 11 anos na Globo já fez 12 trabalhos no canal.

Aos 32 anos, Lucy Ramos é uma das poucas artistas negras brasileiras com contratos de publicidade com marcas nacionais e internacionais de produtos de beleza.

Visibilidade na TV

Há poucos dias, I Love Paraisópolis recebeu críticas por ter um número reduzido de atores negros (seis no elenco principal), ainda que seja ambientada numa comunidade de classe baixa, onde a proporção de afrodescendentes supera os 50%.

Cabe aqui uma contestação: melhor ter quatro negros do que nenhum, ou apenas um, em papel irrelevante, apenas para seguir a cartilha do politicamente correto, como ocorreu em várias produções de teledramaturgia da Globo e de outros canais.

Quando a emissora investiu numa série sobre o universo black protagonizada por negros — 'Sexo e as Negas', exibida entre setembro e dezembro de 2014 — foi duramente criticada por movimentos negros, antes mesmo da estreia, por supostas abordagens racista e sexista.

Com o programa no ar, as reclamações cessaram. Não havia nada de lesivo à moral e autoestima da população negra. Pelo contrário: destacavam-se mensagens relevantes contra o racismo, a misoginia e outros preconceitos.

Idealizador do projeto, Miguel Falabella ficou tão decepcionado com a agressividade do patrulhamento ideológico que desistiu de escrever a segunda temporada. Mais de vinte atores negros não tiveram o contrato renovado. Perderam todos, especialmente a teledramaturgia e a sociedade.

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