Evangélica homofóbica e corrupta foi melhor personagem de Babilônia
Enfim, o fim. Babilônia termina esta noite. Com final antecipado devido à baixa audiência, a novela fechará a trajetória com apenas 143 capítulos.
A maioria das antecessoras na faixa das 21h da Globo teve mais de 180. Média geral de audiência de Babilônia: 25 pontos, sete a menos do que o folhetim anterior, Império.
Poucas tramas e personagens deixarão saudade. Entre eles, Consuelo, vivida com vigor e inspiração por Arlete Salles. A atriz de 73 anos agarrou o trabalho com unhas e dentes, superando definitivamente o câncer de mama extirpado no início de 2014.
Ao longo da novela, a evangélica tresloucada revelou-se homofóbica assumida e cúmplice da corrupção praticada pelo filho, o prefeito reacionário Aderbal (Marcos Palmeira). Ela não teve pudor em usar o dinheiro público para financiar os luxos e a cafonice da vida de emergente.
Construída com humor cáustico e livre da ditadura do politicamente correto, Consuelo foi a melhor personagem da novela. Por meio de suas falas preconceituosas, os autores criticaram o enriquecimento ilícito, a segregação social, a obsessão por fama e a discriminação contra gays.
Entre as cenas mais divertidas, os embates entre Consuelo e a maior inimiga, a advogada lésbica Teresa (Fernanda Montenegro). "Sapa safada, invertida, pederasta, caminhoneira, fanchona." Os impropérios da religiosa não tinham limite.
O desfecho de Consuelo está em sintonia com o atual momento do país, no qual os conservadores conquistam poder e influência na política: ela assumirá o cargo de governadora do Rio, ocupando o lugar do filho, finalmente preso pelas falcatruas.
A administração do poder não será fácil. A dama da ética Teresa, eleita deputada estadual, consegue instaurar uma CPI para investigar os desvios de verbas praticados por Consuelo. Mais Brasil, impossível.