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Discreto, Gésio Amadeu abriu caminho para os negros na TV

Ator carismático ajudou a ampliar a diversidade racial nas novelas ao longo de 52 anos de trabalho

6 ago 2020
09h50
atualizado às 09h58
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Qualidade admirável, a discrição acabou impedindo Gésio Amadeu de ter o status merecido. Ele nunca quis ser celebridade, jamais apelou à exposição forçada para atrair flashes e fãs. Mesmo recatado, escreveu seu nome na história das telenovelas e deu imensurável contribuição para a luta dos artistas negros por espaço relevante na televisão. Na quarta-feira (5), o ator morreu aos 73 anos, vítima de falência de múltiplos órgãos em decorrência da covid-19. Saiu de cena com a temperança de sempre.

Gésio Amadeu colecionou personagens interessantes que se destacaram pela emoção
Gésio Amadeu colecionou personagens interessantes que se destacaram pela emoção
Foto: Reproduções

Mineiro, ele estreou na TV em grande estilo: fez em 1968, na Tupi, a novela Beto Rockfeller, escrita por seu amigo Bráulio Pedroso. A trama é considerada um divisor de águas na história da teledramaturgia brasileira por ter apresentado um jeito moderno de se fazer ficção popular. Nos anos seguintes, Gésio esteve no elenco de outros sucessos, como A Cabana do Pai Tomás (Globo), Éramos Seis (Tupi), O Direito de Nascer (Tupi) e os Imigrantes (TV Bandeirantes). Na década de 1980 se destacou como o escravo Fulgêncio em Sinhá Moça (Globo), quando teve cenas comoventes com os gigantescos Grande Otelo (1915-1993) e Ruth de Souza (1921-2019).

Participou de Ana Raio e Zé Trovão (Manchete), Renascer (Globo) e Sangue do Meu Sangue (SBT). Em 1997, virou ídolo das crianças ao atuar como Chico, o simpático chef de cozinha de Chiquititas (SBT). Logo depois apareceu no fenômeno Terra Nostra (Globo). Voltou a agradar ao público infantil na pele do Tio Barnabé em O Sítio do Pica-Pau Amarelo (Globo). O último personagem também habitava o universo dos telespectadores mirins: o Seu Andrade da série Bugados, do Gloob.

O ator nunca foi protagonista, mas sempre conseguiu ampliar sua presença diante das câmeras por meio da emoção e do humor enxertados em seus personagens. Sem ativismo explícito, mas com consciência de seu papel social, se fez referência de negritude na televisão — muitas vezes era o único negro no elenco. Sua presença no vídeo e as interpretações eficientes inspiraram muitos jovens a desafiar o racismo para também seguir carreira artística.

O agora saudoso Gésio Amadeu poderá ser visto em breve na edição especial de Flor do Caribe, que sucederá Novo Mundo na faixa das 18h da Globo em setembro, e também na reprise de A Viagem, a partir de dezembro, no Canal Viva. Assistir a ele será uma maneira de prestar merecida homenagem e, ao mesmo tempo, apreciar de novo seu talento e simpatia em cena.

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