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Crítica de Fagundes atinge injustamente Gianecchini e Paolla

Os dois atores já provaram seu talento e são muito mais do que bonitos e sensuais

26 out 2020
10h32
atualizado às 10h41
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Às vezes, as palavras nos traem. Assumem uma conotação pejorativa. Afetam outras pessoas e produzem repercussão polêmica. Acaba de acontecer com Antonio Fagundes, a partir de um trecho de sua entrevista nas ‘Páginas Amarelas’ da revista ‘Veja’.

Ao criticar a superficialidade de tramas criadas por autores de novelas da Globo, que sempre recorrem a belos casais formados por atores jovens, em detrimento de dramaturgia mais consistente com veteranos, o galã de 71 anos usou Reynaldo Gianecchini e Paolla Oliveira para exemplificar a situação. A declaração de Fagundes gerou a impressão de que eles são escalados como protagonistas apenas em razão da beleza física.

Gianecchini, Fagundes e Paolla: a discussão sobre o pouco espaço a atores idosos na TV merece mais destaque
Gianecchini, Fagundes e Paolla: a discussão sobre o pouco espaço a atores idosos na TV merece mais destaque
Foto: Blog Sala de TV

“A questão está basicamente nas mãos dos autores, que se viciaram em fazer a coisa mais fácil. Quando você põe um casal romântico lindo, simpático e carismático, como a Paolla Oliveira e o Reynaldo Gianecchini, não precisa falar mais nada. Toda vez que trocarem olhares apaixonados, o público vai fazer “ahhhhh”. E se o homem tirar a camisa e mostrar os músculos, melhor ainda. Essa facilidade criou inércia na dramaturgia que precisa ser quebrada. Pôr um casal de idosos ou sem beleza apolínea dá um pouco mais de trabalho, requer mais inteligência e cultura.”

Paolla, 38 anos, e Gianecchini, 47, são muito mais do que bonitos. O talento de ambos já foi testado e provado em vários trabalhos desafiadores na TV. Venceram o estigma inerente a atores explicitamente belos e sensuais ao interpretar personagens que exigiram forte carga dramática e habilidade para a comédia.

A atriz se destacou por atuações sólidas em produções como O Profeta, Amor à Vida (quando contracenou com Fagundes) e Assédio. Em A Força do Querer, atualmente reprisada em edição especial na faixa das 21h da Globo, Paolla teve um de seus melhores desempenhos. A sequência na qual sua personagem, a policial Jeiza, salva duas crianças de uma van roubada por bandidos em um morro foi um dos melhores momentos de sua carreira iniciada em 2004.

Gianecchini também evoluiu artisticamente aos olhos do público. Pode-se acompanhar sua estreia na teledramaturgia na reapresentação de Laços de Família, de 2000, no ‘Vale a Pena Ver de Novo’.  Massacrado pela crítica naquele primeiro trabalho, o ator exibiu superação em atuações vistas em Da Cor do Pecado, Belíssima e Verdades Secretas. Ao longo de A Dona do Pedaço, o ator foi desafiado pelas incontáveis reviravoltas de seu ambíguo personagem Régis.

A crítica feita por Antonio Fagundes é pertinente, pois ressalta a maneira às vezes indigna com que veteranos são tratados na teledramaturgia, com o desperdício de grandes atores por conta de sua idade e aparência envelhecida. Mas inserir Paolla e Gianecchini no contexto, nominalmente, produziu a impressão de desprezo aos dois, e de que teriam um sucesso imerecido, baseado tão somente na atração visual.

No contexto, a citação prejudicou a coerência de sua argumentação. A televisão realmente deve valorizar mais os artistas idosos, porém, para isso, não precisa obrigatoriamente depreciar ou descartar os atores no auge da juventude e da beldade.

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