Apresentadoras italianas são proibidas de usar minissaia e decote
Saia curta? Não pode! Calça justa? Não pode! Blusa com decote? Não pode! Braços de fora? Não pode! Maquiagem fashion? Não pode!
O novo dress code imposto às apresentadoras de telejornais e programas esportivos do canal público RAI 3, na Itália, parece ter sido escrito no início do século passado, quando a mulher não tinha sequer direito a voto e seu corpo era 'propriedade' do marido.
As normas conservadoras foram determinadas pela recém-empossada diretora do canal, Daria Bignardi, de 55 anos. A ironia é que a nova chefe do RAI 3 usava peças sem manga, decotes e pernas à mostra quando atuava como apresentadora até o ano passado.
De acordo com o jornal La Repubblica, Daria explicou às funcionárias da TV que a mudança é para deixá-las mais discretas e, assim, evitar que o visual chame mais atenção do que a notícia em si.
Os apresentadores também receberam recomendações para mudar o figurino: nada de ternos listrados e gravatas coloridas. A cor vermelha, considerada sexy demais, foi abolida para ambos os sexos. E todos devem usar o mínimo de maquiagem.
Se essa moda pegar, a vida ficará difícil para jornalistas como Paola Ferrari (foto acima), uma das maiores estrelas da RAI. Ela só usa looks curtos, colados ao corpo e decotados. É considerada a Pamela Anderson da televisão italiana.
Tubinho preto não pode!
Em maio, um episódio sobre o vestuário usado em TV repercutiu nos quatro cantos do planeta.
Liberté Chan, apresentadora do canal KTLA 5, na liberal Califórnia, foi obrigada a vestir um casaco diante das câmeras enquanto fazia ao vivo a previsão meteorológica.
Uma voz ouvida na transmissão explicou que muitos telespectadores reclamaram do vestido preto de alças que a jornalista usava na ocasião. Acharam sensual demais.
Obrigada a cobrir ombros e braços, Liberté reagiu com ironia: "Assim pareço uma bibliotecária".
'Poxa, que coxa!'
Nas emissoras brasileiras, a maioria das apresentadoras e moças do tempo usa vestidos e saias na altura dos joelhos e não há proibição de roupas sem mangas.
No início dos anos 2000, o SBT lançou um telejornal que ficou conhecido como 'Jornal das Pernas'.
As âncoras Cynthia Benini e Analice Nicolau ocupavam uma bancada vazada que evidenciava o uso de saias e vestidos curtos - e fez a beleza física das jornalistas virar manchete.
Há rumores de que Silvio Santos planeja reimplantar esse formato de telejornalismo com, digamos, forte apelo visual. A conferir.
A exploração do corpo feminino na mídia é um tema que sempre suscita polêmica, especialmente quando acompanhado de escassez de tecido.
Agora, quem diria?, o excesso de roupa desperta críticas por conta da imposição do recato às jornalistas de TV. É pra dar nó em cabeça de feminista.