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Atriz completa, Marília Pêra foi todas as mulheres que quis

5 dez 2015 - 13h17
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Shirley, Rafaela, Juliana, Monforte: algumas das mil mulheres de Marília (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Shirley, Rafaela, Juliana, Monforte: algumas das mil mulheres de Marília (Fotos: Divulgação/TV Globo)
Foto: Sala de TV

Em 1999, o dramaturgo Flávio de Souza lançou a biografia de Marília Pêra. O título não poderia ser mais adequado à biografada: Vissi D´Arte — 'vivi para a arte'.

Trata-se também do nome de uma ária da ópera Tosca, de Puccini. A interpretação mais famosa talvez tenha sido a de Maria Callas, a soprano de vida dramática que Maria Pêra interpretou com maestria.

A morte da atriz, cantora e diretora, ocorrida neste sábado (5), aos 72 anos, encerra uma galeria de personagens marcantes na TV, no cinema e no teatro, e uma vida de múltiplos talentos.

Ela foi aplaudida ao interpretar Carmen Miranda, Coco Chanel, Dalva de Oliveira e tantas outras mulheres únicas.

Na teledramaturgia brilhou com atuações memoráveis, tais como a da milionária falida Rafaela Alvaray de Brega & Chique (1987).

Como esquecer a criada maléfica Juliana de O Primo Basílio (1988) e a angustiada Maria Monforte de Os Maias (2001)?

Quem tem mais idade há de se recordar da secretária Shirley Sexy, um dos primeiros sucessos da atriz na Globo, na novela O Cafona, de 1971. A própria atriz gravou a música tema de sua personagem.

Da comédia ao drama, heroína ou vilã, rica ou pobre, Marília agigantava as personagens e oferecia ao telespectador momentos de alegria, tensão, reflexão.

Dos quase trinta filmes, destaque absoluto para a prostituta abandonada Sueli de Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980).

O filme de Hector Babenco a projetou para o mundo — e a cena na qual Sueli amamenta o menino de rua se tornou uma das imagens mais icônicas do cinema.

Dona de personalidade disciplinadora, Marília Pêra era conhecida pelo rigor com seu próprio trabalho e o dos atores com os quais trabalhava. Foi uma diretora de cena meticulosa. Personagem de si mesma.

Filha, mãe e irmã de atores, ela deixa um legado riquíssimo à arte e importantes ensinamentos a quem se pretende artista. "Uma diva que transforma-se em deusa", escreveu no Twitter a também atriz Angela Leal.

Mesmo enfraquecida por um câncer de pulmão, Marília Pêra gravou a quarta temporada do seriado Pé na Cova, obra de seu amigo Miguel Falabella, em exibição até dezembro.

A maquiadora de defuntos Darlene às vezes ataca de filósofa do gim. Uma personagem que diverte e emociona, oscilando entre a felicidade gratuita e a tristeza existencial, ambígua como a própria vida.

Uma síntese de todas as mulheres que Marília Pêra foi.

A última personagem, Darlene (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)
A última personagem, Darlene (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)
Foto: Sala de TV
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