Ator de História de Amor fez sucesso na comédia e foi vereador do Rio de Janeiro
No ar na reprise de História de Amor, Francisco Milani brilhou em programas de humor da Globo e chegou a trilhar carreira política antes de sua morte
O ator Francisco Milani, que está no ar na Globo como Durval, corretor de Helena (Regina Duarte) na reprise de História de Amor, fez sucesso na comédia e foi vereador do Rio de Janeiro. Sua passagem no humor contou com programas como Viva o Gordo, Escolinha do ProfessorRaimundo e Zorra Total. Relembre a trajetória e outros trabalhos do ator, que morreu em 2005, aos 68 anos.
Começo na televisão
Francisco Milani iniciou sua trajetória artística aos 14 anos, trabalhando como office boy em uma rádio de Piracicaba. Com o tempo, passou por diversas funções, como locutor, discotecário e sonoplasta, até que um convite para um teste de atuação mudou o rumo de sua carreira.
Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro para auxiliar nos trabalhos da TV Continental e acabou se estabelecendo na cidade definitivamente. Durante os anos 1960, Milani esteve envolvido no Centro Popular de Cultura (CPC), um dos principais movimentos artísticos ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE).
No entanto, com o endurecimento da ditadura militar, foi perseguido e precisou interromper sua carreira artística por quase uma década. Nesse período, trabalhou como caminhoneiro para evitar represálias.
Humor na veia
O retorno à televisão veio na década de 1970, quando Milani construiu uma carreira sólida com participações em novelas marcantes como Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972), Barriga de Aluguel (1990) e Vamp (1991). Sua versatilidade também o levou ao cinema, nos clássicos Terra em Transe (1967) e Eles Não Usam Black-Tie (1981).
Apesar de ter começado no drama, foi na comédia que Milani encontrou seu espaço mais popular. Seu talento humorístico brilhou em programas como Viva o Gordo, Escolinha do Professor Raimundo e Zorra Total.
Seu personagem Pedro Pedreira, um advogado cético que exigia provas para qualquer fato histórico, ficou famoso pelo bordão "Então, não me venha com chorumelas!". No Zorra Total, também deu vida ao ranzinza Saraiva, com a frase "Pergunta idiota, tolerância zero!".
Trajetória na política
Paralelamente à carreira artística, Milani sempre teve grande envolvimento com a política. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi eleito vereador no Rio de Janeiro em 1992. Durante o mandato, passou para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, posteriormente, ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Foi autor da lei que criou a Riofilme, uma das principais iniciativas de fomento ao cinema nacional. Em 2000, concorreu ao cargo de vice-prefeito na chapa de Benedita da Silva (PT), mas não foi eleito. Sua atuação política foi marcada pelo compromisso com a cultura e a defesa das artes.
O ator faleceu em 13 de agosto de 2005, vítima de um edema pulmonar decorrente de um câncer. Sua despedida foi acompanhada por familiares, amigos e colegas de profissão, que prestaram homenagens ao ator. No velório, foram entoados o hino da Internacional Socialista e o hino do Corinthians, seu time do coração.