A arte imita a vida: atentado contra Ferette reproduz cena real de tiro em Trump
Não é a primeira vez que a teledramaturgia se inspira em fatos de grande repercussão
Há muito em comum entre Santiago Ferette e Donald Trump. Ambos são magnatas, gostam de concentrar poder, rejeitam a comunidade LGBT+ e estão sempre na mira dos inimigos.
Outra coincidência os une: um atentado a tiros. O então candidato à Presidência foi ferido de raspão na orelha em 13 de julho de 2024, em comício na cidade de Butler, na Pensilvânia.
Já o vilão de ‘Três Graças’ será alvejado na mesma parte do corpo, igualmente em um palanque, no capítulo 100, a ser exibido nesta quinta-feira (12).
Os autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva escrevem a novela das 21h conectados com os memes da internet e também os destaques do noticiário.
Essa explícita associação entre Ferette e Trump é uma crítica aos dois e, ao mesmo tempo, aos extremismos que racham as sociedades mundo afora.
A teledramaturgia brasileira tem tradição de usar acontecimentos históricos ou que estão na memória coletiva. O próprio Aguinaldo fez isso anteriormente. Em ‘Senhora do Destino’, a trama do rapto de Lindalva/Isabel (Carolina Dieckmann) foi baseada no Caso Pedrinho, de Brasília.
Para ‘Travessia’, Gloria Perez se inspirou no episódio de linchamento de uma mulher inocente em Guarujá (SP) para construir a perseguição à injustiçada Brisa (Lucy Alves).
Outra adaptação: o Crime da Bala de Ouro, feminicídio que chocou Salvador no século 19, serviu de base para o assassinato de Júlia (Vitória Strada) em ‘Espelho da Vida’.
Quando adequadas, as referências da vida concreta enriquecem a ficção e podem prender ainda mais a atenção do telespectador. Afinal, a realidade, às vezes, supera a imaginação e nos surpreende com sua contundência.