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‘Três Graças’ faz a Globo voltar a ter uma grande novela que dá gosto de assistir

Trama reúne elementos valiosos capazes de hipnotizar o público e tirá-lo momentaneamente da realidade sufocante

10 fev 2026 - 10h37
(atualizado às 10h37)
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Como é agradável assistir a uma novela que nos captura pela expectativa do que vai acontecer na próxima cena, no capítulo de amanhã.

Assim é ‘Três Graças’. Começou bem, esfriou e agora está em seu melhor momento dramatúrgico, com reviravoltas impactantes.

As histórias que pareciam arrastadas — como a do roubo da estátua e da venda do bebê — ganharam musculatura com a revelação de detalhes e o envolvimento de novos personagens.

A novela não precisa de um grande mistério: as pequenas surpresas do cotidiano são suficientes para surpreender e divertir.

O texto afiadíssimo de Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva resgata o saboroso politicamente incorreto e injeta humor cáustico irresistível. Há também crítica social, mas sem militância forçada.

O que dizer das atuações? Raramente se vê uma produção em que todos os atores — dos protagonistas ao mais discreto coadjuvante — estejam tão convincentes em cena. Mereceriam o prêmio de ‘elenco do ano’.

Outra qualidade está na direção que recupera movimentos clássicos como o ‘zoom’ (quando a câmera se aproxima lenta ou rapidamente do personagem) e o chicote (deslocamento brusco da imagem). Como diz a internet, ‘absolute novelão’.

O folhetim das 21h se mostra eficiente também na imprescindível interação da TV com as redes sociais, por meio de cortes viralizados, criação de memes, diálogos com referências a outras obras e debates relevantes. Esse termômetro de popularidade online é tão importante quanto os números aferidos pelo Ibope.

No fim das contas, ‘Três Graças’ reafirma o poder da novela tradicional bem escrita e bem executada, sem invencionices nem pretensão de linguagem.

Em um cenário dominado por realities e plataformas de streaming, a produção das 9 recupera o velho prazer de acompanhar personagens, noite após noite, torcendo, odiando, rindo e se identificando.

É a confirmação de que, quando todos os elementos se alinham, o gênero segue imbatível como experiência coletiva da televisão.

Um escapismo diário que milhões de brasileiros precisam para espairecer um pouco antes de ir para a cama.

Irresistíveis, Gerluce (Sophie Charlotte) e Arminda (Grazi Massafera) lideram um elenco de talentos gritantes
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Foto: Estevam Avellar/TV Globo
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