Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Seleção virtual em vez de tapete vermelho em Cannes 2020

6 jun 2020 - 13h26
(atualizado em 6/6/2020 às 05h32)
Compartilhar
Exibir comentários

Na impossibilidade de um evento real devido à pandemia de covid-19, organizadores do Festival de Cannes indicam 56 filmes entre os mais de 2 mil submetidos à seleção. Do Brasil, "Casa de Antiguidades" enfoca racismo.O coronavírus venceu: o mais importante evento cinematográfico do mundo está definitivamente cancelado em 2020. Até então, mantinha-se a intenção de transferir para mais tarde a edição atual do Festival de Cannes, normalmente realizado em meados de maio.

Sem o show de um festival real, Cannes aparentemente deu mais espaço ao cinema de arte, e menos a considerações comerciais
Sem o show de um festival real, Cannes aparentemente deu mais espaço ao cinema de arte, e menos a considerações comerciais
Foto: DW / Deutsche Welle

No entanto, os meses de verão (junho a agosto na Europa) estão fora de questão, diante das numerosas restrições de contato ditadas pela pandemia. No outono o calendário global de festivais é apertado: Cannes não queria roubar a cena dos grandes festivais, sobretudo Veneza e Toronto. Depois é tarde demais, os melhores filmes e cineastas do ano já terão sido laureados em outras partes do mundo. A concorrência entre os eventos de primeira linha é dura.

Mas a equipe organizadora de Cannes já investiu muito trabalho: 2.067 obras haviam sido submetidas, um número recorde, segundo comunicou o diretor artístico Thierry Frémaux na noite desta quarta-feira (03/06) em Paris. O que fazer? Simplesmente cruzar os braços e esperar que os concorrentes elejam a crème de la crème da sétima arte não combinaria com orgulho francês.

Assim, Frémaux e seus colaboradores decidiram apresentar 56 obras que receberão este ano o "selo de qualidade" de Cannes. Naturalmente, a maioria dessas produções estreará em outros festivais, mas o público estará sabendo: este é um filme que, na verdade, teria sido apresentado em maio na cidade na Côte d'Azur - que assim asssegura para si pelo menos uma espécie de exclusividade virtual.

Mais arte, menos comércio

Os organizadores abriram mão de dividir os 56 eleitos entre mostra competitiva e paralelas: se não vai haver Palma de Ouro 2020, então tampouco Palmas menores, deve ter sido o raciocínio.

Na apresentação da seleção optou-se por outra forma de categorização: 14 filmes de cineastas que participaram de Cannes, 14 de novatos no festival, 15 de estreia, dois documentários, quatro animações, uma obra coletiva e cinco comédias.

Chama a atenção a pouca quantidade de produções dos Estados Unidos a receber a distinção, sendo Wes Anderson possivelmente o diretor mais conhecido. Estrelado por Thimotée Chalamet, seu The French Dispatch narra histórias publicadas por uma revista americana na França pós-Segunda Guerra Mundial. Entre os demais quatro compatriotas de Anderson, destacam-se Falling, estreia do ator Viggo Mortensen como diretor, e a animação Soul, de Pete Docter.

Sem o show de um festival real, Cannes aparentemente deu mais espaço ao cinema de arte, e menos a considerações comerciais. Notável é terem sido selecionadas logo duas obras do diretor britânico Steve McQueen: tanto Lovers Rock quanto Mangrove abordam a discriminação de cidadãos de cor na Londres dos anos 70 e 80.

O ganhador do Oscar (12 anos de escravidão) negro, de 50 anos, dedica ambos ao afro-americano George Floyd, morto por um policial em Minneapolis em 25 de maio, e a "todas as pessoas negras que foram assassinadas, invisíveis e ignoradas, por serem o que são, nos EUA, Inglaterra e outras partes".

Seleção ampla

Do Brasil, foi escolhido Casa de antiguidades, de João Paulo Miranda Maria, que trata de racismo através da história de um operário negro (Antonio Pitanga), que vive étnica e culturalmente isolado numa antiga colônia de austríacos no Sul do Brasil. Um dia encontra uma casa com objetos que lembram suas origens. Depois que ele lá se instala, novos objetos começam a aparecer, como se o edifício tivesse vida própria.

A Alemanha faz presença com a biografia do cineasta Rainer Werner Fassbinder (1945-1982) Enfant Terrible, dirigida e coescrita por Oskar Roehler. Oliver Masucci interpreta de forma convincente o artista provocador e altamente produtivo em seus primeiros anos de carreira.

É especialmente numerosa a presença francesa na seleção do Festival de Cannes. Segundo Frémaux, não se trata de uma manifestação de orgulho nacional, mas sim uma expressão da força da atual produção cinematográfica do país. François Ozon - aliás admirador declarado de Fassbinder, como prova seu Gotas d'água em pedras escaldantes, de 2000 - lidera essa ala com Été 85, a história de uma amizade homossexual na Normandia, na década de 1980.

Apesar de tudo, os organizadores não perderam de vista o vasto panorama do cinema internacional, concedendo seu "selo de qualidade" virtual também a produções da Bulgária, Geórgia, Armênia, Lituânia, Líbano, Egito, Israel e Congo, entre outros. A Coreia do Sul volta a fazer presença, após ter levado a Palma de Ouro em 2019 com Parasita, de Bong Joon Ho (além de ser a primeira produção estrangeira a receber o Oscar de Melhor Filme).

Nos próximos meses, Frémaux e equipe acompanharão a trajetória de seus 56 selecionados nos demais festivais e salas de exibição de todo o mundo - provavelmente com um olho que ri e outro que chora. E torcerão para que em 2021 os profissionais do cinema internacional possam estar de volta à Croisette e seu icônico tapete vermelho.

Seleção Cannes 2020:

The French Dispatch, Wes Anderson

Été 85, François Ozon

Asa Ga Kuru, Naomi Kawase

Lovers Rock, Steve McQueen

Mangrove, Steve McQueen

Druk, Thomas Vinterberg

DNA, Maïwenn

Last words, Jonathan Nossiter

Heaven: To the Land of Happiness, Im Sang-soo

El olvido que seremos, Fernando Trueba

Peninsula, Sang-ho Yeon

In the dusk, Sharunas Bartas

Des hommes, Lucas Belvaux

The real thing, Kôji Fukada

Passion simple, Danielle Arbid

A good man, Marie-Castille Mention-Schaar

The things we Say, the things we do, Emmanuel Mouret

Souad, Ayten Amin

Limbo, Ben Sharrock

Rouge, Farid Bentoumi

Falling, Viggo Mortensen

Sweat, Magnus von Horn

Teddy, Ludovic e Zoran Boukherma

February, Kamen Kalev

Ammonite, Francis Lee

Nadia, Butterfly, Pascal Plante

Broken keys, Jimmy Keyrouz

The Truffle Hunters, Gregory Kershaw e Michael Dweck

John and the hole, Pascual Sisto

Here we are, Nir Bergman

Un médecin de nuit, Elie Wajeman

Enfant terrible, Oskar Roehler

Pleasure, Ninja Thyberg

Slalom, Charlène Favier

Casa de antiguidades, João Paulo Miranda

Ibrahim, Samuel Guesmi

Gagarine, Fanny Liatard e Jérémy Trouilh

16 printemps, Suzanne Lindon

Vaurien, Peter Dourountzis

Garçon Chiffon, Nicolas Maury

Si le vent tombe, Nora Martirosyan

En route pour le milliard, Dieudo Hamadi

9 days at Raqqa, Xavier de Lauzanne

Antoinette in the Cévènnes, Caroline Vignal

Les seux Alfred, Bruno Podalydès

Un triomphe, Emmanuel Courcol

Les discours, Laurent Tirard

L'origine du monde, Laurent Lafitte

Septet: The story of Hong Kong, Ann Hui, Johnnie To, Tsui Hark, Sammo Hung, Yuen Woo-Ping, Patrick Tam

Beginning, Déa Kulumbegashvili

Striding into the wind, Shujun

The death of cinema and my father too, Dani Rosenberg

Aya To Majo, Goro Miyazaki

Flee, Jonas Poher Rasmussen

Josep, Aurel

Soul, Pete Docter

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube

| App | Instagram | Newsletter

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade