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São Paulo para crianças curiosas: Onde encontrar dinossauros e desvendar os mistérios da natureza

Veja dicas de museus e lugares para incentivar a curiosidade das crianças

12 out 2022 - 17h30
(atualizado em 12/10/2022 às 09h06)
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A criança mal aprende a falar e já se arrisca nos complicados nomes das espécies de dinossauros: tricerátops, braquiossauro, velociraptor, pterodáctilo. Tem um meme que volta e meia circula na internet que mostra um gráfico comparando o nível de conhecimento de um paleontólogo com o de uma criança de quatro anos, e com o da mãe dessa criança. Quem já passou por essa fase entende bem.

Depois tem a fase do fundo do mar, dos insetos, dos planetas, e por aí vai. Em entrevista recente ao Estadão, o historiador israelense Yuval Noah Harari comentou que as crianças são naturalmente curiosas e que o problema é que, com o passar do tempo, elas deixam de fazer as perguntas essenciais. E, como são elas que poderão salvar a humanidade, é preciso incentivar essa curiosidade.

Pensando nisso, buscamos museus e lugares em São Paulo que dialogam com esses interesses comuns às crianças: os mistérios entre o céu e a terra - e das profundezas do oceano. Alguns deles têm cara de passeio de escola - e até são durante a semana. Mas o interessante é que as crianças pedem para voltar nos finais de semana para levar a família.

Mundo dos insetos

É o caso do Planeta Inseto, no Instituto Biológico, na Vila Mariana (Av. Dr. Dante Pazzanese, 64; 3.ª a domingo, das 9h às 16h). A curadora Harumi Hojo conta que é comum ver crianças por lá no sábado e domingo, guiando os pais.

Acessível, com entrada gratuita, estacionamento e de fácil acesso, ele viu seu número de visitantes aumentar consideravelmente após uma reforma na pandemia. Em 2011, o ano da inauguração, ele recebeu 23 mil pessoas. O recorde de visitação - 33 mil pessoas em 2019 - já foi igualado em apenas cinco meses neste ano - entre a reabertura, em abril, e o fim de setembro.

São sete salas, onde é possível ver a produção do fio da seda pelas lagartas, conhecer o funcionamento de um formigueiro, aprender sobre as abelhas, ver besouros, borboletas, bicho-pau e até acompanhar uma corrida de baratas - com torcida e tudo.

"Em nossas atividades para o público, exploramos o significado da descoberta, como são feitas as reconstituições dos animais extintos a partir de suas partes descobertas e os desafios da pesquisa em paleontologia", explica a pesquisadora. Com uma história iniciada nos anos 1890, o museu abriga uma das maiores coleções da nossa fauna, e os mamíferos taxidermizados, junto com as demais réplicas de dinossauros, fazem sucesso entre as crianças.

Em 2019, o museu recebeu 100 mil visitantes - e já está quase batendo esse número. Com a reabertura do Museu do Ipiranga, logo atrás, a expectativa é que o local seja descoberto por um novo público.

"Os museus ocupam um lugar cada vez mais importante como meios de comunicação. Eles acionam nossos diversos sentidos durante a visita o que contribui para a formação de memórias de longa duração", explica Maria Isabel. "Promovemos encontro entre pessoas reais, em condições muito especiais onde os objetos, em sua realidade material, são apresentados para fazer pensar sobre os grandes temas atuais como o valor e a preservação da biodiversidade", completa. Para esses tempos conectados, os museus, ela finaliza, "são fundamentais para nos resgatar do mundo virtual e da solidão que ele promove".

Universo

Quem cresceu em São Paulo dos anos 1960 para cá certamente visitou o Planetário, no Ibirapuera (sessões de 6ª. a domingo, com valores diversos dependendo da programação; visita escolar durante a semana).

No Ibirapuera, o início de uma consciência planetária
No Ibirapuera, o início de uma consciência planetária
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Hoje, porém, explica o diretor João Fonseca, a proposta não é mais ensinar - é sensibilizar os visitantes. É fazer com que ao olhar para aquele imenso céu estrelado projetado a pessoa entenda que é uma parte daquele universo e que precisa cuidar da sua casa. "Essa consciência de um cidadão planetário começa nos primeiros anos com esses primeiros contatos sensíveis com a ciência", diz.

Crianças, museus, parques e mundo interior

As crianças se deixam ser capturadas em seu interesse por espaços e objetos que remetem ao mundo emocional delas. Os animais e a natureza podem representar inconscientemente afetos muito primitivos, nosso 'lado animal', nossas vivências mais antigas de nossos instintos e impulsos ainda não suficientemente controlados e simbolizados", diz o psicólogo e psicanalista Rodrigo Manoel Giovanetti.

Ele explica ainda, citando Freud, que do ponto de vista psicológico, lugares culturais de lazer, divertimento e conhecimento do mundo são importantes, pois facilitam a expressão de ideias e afetos do nosso mundo psíquico de modo prazeroso e com controle. "São espaços transicionais em que podemos expressar amplamente nossos medos, preocupações, felicidade e desejos de forma lúdica, estruturada e contida por meio de objetos culturais, bem como reconhecer a realidade onde vivemos."

Para Daniel Becker, a natureza é o melhor lugar de descoberta para as crianças
Para Daniel Becker, a natureza é o melhor lugar de descoberta para as crianças
Foto: Paulo Libert/Estadão / Estadão

"Crianças pequenas são verdadeiros cientistas em busca de respostas", diz o pediatra Daniel Becker. Para ele, conhecer a cultura humana, a ciência e a história é fundamental e fascinante, mas isso "são fatos dados para a criança". A natureza, ele diz, tem algo a mais do que isso. "Ela é um festival infinito de fenômenos, um museu gigante interativo e de descobertas incríveis. Elas ficam tão encantadas que começam a construir uma reverência com aquilo. Por isso ela é o ambiente mais lindo para você começar a despertar o interesse delas. É só olhar para uma criança solta num parque naturalizado ou numa pracinha e ver como ela é absolutamente esfomeada de exploração."

A notícia boa é que não precisamos escolher um ou outro e a união dos dois - o brincar livre na natureza e os museus ligados à natureza - pode ajudar a entreter e estimular crianças curiosas.

Estadão
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