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Rita Lee além dos palcos: Lilia Cabral revisita a vulnerabilidade e a irreverência da rainha do rock em monólogo

A história de Rita Lee sempre foi marcada pela capacidade de desafiar expectativas. Na música, na maneira de se apresentar e na forma como enxergava o mundo, a artista construiu uma identidade que não se limitava a rótulos. Agora, uma das fases mais íntimas de sua trajetória ganha uma nova interpretação nos palcos com Lilia […]

5 nov 2026 - 00h08
(atualizado às 11h22)
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Resumo
Inspirado no livro Outra Autobiografia, o monólogo Rita Lee: Balada da Louca traz Lilia Cabral no papel da rainha do rock brasileiro. Com texto de Guilherme Samora e direção de Beatriz Barros, o espetáculo foca na intimidade, finitude e irreverência da cantora após o diagnóstico de câncer em 2021, indo além de sua carreira musical para explorar sua visão existencial. Após temporada de sucesso e ingressos esgotados em São Paulo, a elogiada montagem chega ao Rio de Janeiro com sessões já lotadas.

A história de Rita Lee sempre foi marcada pela capacidade de desafiar expectativas. Na música, na maneira de se apresentar e na forma como enxergava o mundo, a artista construiu uma identidade que não se limitava a rótulos. Agora, uma das fases mais íntimas de sua trajetória ganha uma nova interpretação nos palcos com Lilia Cabral em "Rita Lee: Balada da Louca", espetáculo que propõe um olhar sobre a mulher por trás do mito da eterna rainha do rock brasileiro.

Rita Lee além dos palcos: Lilia Cabral revisita a vulnerabilidade e a irreverência da rainha do rock em monólogo
Rita Lee além dos palcos: Lilia Cabral revisita a vulnerabilidade e a irreverência da rainha do rock em monólogo
Foto: Conexão Beat / Conexão Beat

Inspirada em Rita Lee: Outra Autobiografia, publicação lançada em 2023, a montagem parte dos relatos escritos pela cantora após receber o diagnóstico de câncer de pulmão, em 2021. O que poderia ser uma narrativa concentrada na doença ganha outra dimensão: um encontro com pensamentos sobre a existência, a passagem do tempo, os afetos e a maneira de encarar a própria finitude.

A Rita que existe além do mito

Idealizado e escrito por Guilherme Samora, amigo de Rita Lee e editor de seus livros, o espetáculo procura preservar a essência de uma personalidade que nunca precisou escolher entre profundidade e irreverência. A artista falava sobre assuntos difíceis sem abandonar a ironia, o humor e a franqueza que marcaram sua comunicação com o público durante décadas.

Essa combinação é justamente um dos elementos centrais da dramaturgia. Em vez de construir apenas uma homenagem à cantora, "Balada da Louca" apresenta uma mulher que reflete sobre suas experiências e compartilha suas fragilidades sem perder a personalidade que a transformou em referência cultural.

A proposta também amplia a percepção sobre o legado de Rita. Sua contribuição para a música brasileira é incontestável, mas sua influência ultrapassa os discos e os palcos. A cantora construiu uma trajetória associada à autonomia, à liberdade de expressão e ao questionamento de convenções sociais, tornando-se uma referência para diferentes gerações.

Lilia Cabral encontra uma nova dimensão artística

Interpretar Rita Lee representa um desafio particular para Lilia Cabral. Admiradora da cantora, a atriz assume a responsabilidade de conduzir sozinha uma narrativa que reúne memórias, reflexões e diferentes camadas emocionais.

"É muito especial que seja a Rita, e que ela esteja sendo representada em um espaço de intimidade, onde existe uma reflexão filosófica sobre temas tão importantes como a morte, o envelhecimento e a relação com a espiritualidade", afirma a diretora Beatriz Barros.

A direção é assinada por Beatriz Barros, que também esteve à frente de "O Avesso da Pele", montagem do coletivo Ocutá. O texto de Samora encontra na interpretação de Lilia o caminho para aproximar a experiência pessoal de Rita de questões universais, sem transformar sua história em uma narrativa distante ou idealizada.

Um legado que continua provocando conversas

Rita Lee morreu em maio de 2023, aos 75 anos, mas sua presença permanece especialmente forte na cultura brasileira. Dos Mutantes à carreira solo, a artista ajudou a transformar o rock nacional, questionou padrões e abriu caminhos para novas formas de expressão feminina na música.

Em "Balada da Louca", essa trajetória aparece por uma perspectiva diferente. O espetáculo não se concentra apenas nas conquistas de uma carreira extraordinária, mas também na intimidade de alguém que, diante das transformações da vida, continuou encontrando maneiras de narrar a própria história.

Com produção da Brancalyone, o projeto conta com a Elo como apresentadora exclusiva e é viabilizado pela Lei Rouanet. Depois de uma temporada de três meses em São Paulo, com ingressos esgotados antes mesmo da estreia, a montagem chega ao Rio de Janeiro com todas as entradas também esgotadas.

Mais do que revisitar a memória de uma artista, "Rita Lee: Balada da Louca" propõe um encontro com suas ideias, contradições e sentimentos. Afinal, talvez a maior herança de Rita Lee não esteja apenas nas canções que deixou, mas na liberdade com que escolheu viver e contar sua própria história.

SERVIÇO

Rita Lee: Balada da Louca

  • Protagonista: Lilia Cabral
  • Idealização e texto: Guilherme Samora
  • Direção: Beatriz Barros
  • Produção: Brancalyone
  • Local: Teatro PRIO, Leblon, Rio de Janeiro
  • Temporada: 6 a 15 de novembro de 2026
  • Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h
  • Ingressos: esgotados
  • Classificação indicativa: 12 anos
Conexão Beat
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