Mulheres são mais de 80% dos influenciadores de livros e maioria não monetiza conteúdo, diz pesquisa
Estudo inédito no Brasil que mapeou mais de 500 criadores de conteúdo literário também revela que TikTok não é a principal plataforma de publicação; veja números
Inédita no Brasil, uma pesquisa revelou que os influenciadores literários são predominantemente mulheres brancas, altamente escolarizadas e residentes no Sudeste. Apesar da relevância para o setor, 58,9% não monetizam seu conteúdo e 66,9% mantêm outro emprego, com apenas 5% vivendo dessa renda. O Instagram lidera como plataforma favorita (63%), superando o TikTok, e o romance é o gênero mais abordado (61,9%). A maioria atua há até dois anos, tem público de até 5 mil seguidores e dispensa o uso de IA.
A maioria dos influenciadores literários é formada por mulheres brancas que vivem no Sudeste e mais da metade deles não ganha dinheiro com a produção de conteúdo, revelou a pesquisa Mapeamento dos Criadores de Conteúdo Literário, divulgada nesta quinta-feira, 5.
O estudo foi idealizado pelos pesquisadores Gabriel Mattos (USP) e Bruna Paiva (UFRJ), em parceria com a Estante Virtual, e contou com apoio do Sindicato Nacional dos Editores de Livro (SNEL), Câmara Brasileira do Livro (CBL), Publitik e PublishNews. É o primeiro levantamento realizado no Brasil sobre os criadores de conteúdo sobre livros.
A pesquisa contou com mais de 500 respostas, levantadas entre setembro e outubro de 2026, e não oferece uma projeção estatística de todo o País, mas um retrato amplo deste grupo que tem se mostrado cada vez mais relevante para o ecossistema do livro no Brasil.
A maioria vive no Sudeste: os estados com mais influenciadores são São Paulo (38,1%), Rio de Janeiro (16,2%) e Minas Gerais (9%). Chama a atenção também que 52,3% afirmam viver em uma capital.
O estudo ainda revela que a maioria dos criadores tem alto nível de escolaridade. Mais de 35% têm graduação completa, enquanto 27,3% têm especialização ou MBA. Os com mestrado ou doutorado somam quase 12% dos influenciadores.
Trabalho, remuneração e IA
Apesar disso, é também uma maioria que não monetiza o conteúdo que publica nas redes. Apenas 5% declaram ter a produção de conteúdo como principal fonte de renda, enquanto 58,9% dizem ainda não monetizar e 30,2% afirmam ter a atividade como renda complementar. Apenas 5,9% não têm intenção de ganhar dinheiro com a função.
Para quem monetiza, as principais formas de renda são publicidade paga (65,3%), programas de afiliados (52,6%), monetização das próprias plataformas (32,6%), vendas de produtos (19,5%) e assinaturas (12,6%). Ainda assim, 58,9% dizem receber somente entre R$ 500 e R$ 1 mil por mês. De R$ 1 mil a R$ 5 mil, somam 41,1%. Acima de 5 mil, são 12,7%.
Outro detalhe é que 66,9% mantêm outro emprego e apenas 6,8% dizem ter a criação de conteúdo como única atividade. Ainda assim, mais de 86% publicam semanalmente ou mais, sendo 41,6% mais de uma vez por semana, 33,3% diariamente e 11,8% uma vez por semana.
O estudo questionou os criadores sobre uso de inteligência artificial: 60,6% não usam a IA na produção, contra 39,4% que afirmam utilizar a ferramenta na produção de conteúdo. As principais formas de uso são para para criar artes/posts (41,3%), criar roteiros (36,2%), escrever legendas (30,0%) e fazer relatórios (18,3%). Vale notar que esta pergunta permitia múltiplas respostas.
Plataformas, seguidores e gêneros literários
O Instagram é a principal plataforma de criação de conteúdo para os influencers literários, citada por 63% dos respondentes, contrariando uma percepção de dominância do TikTok, que aparece em seguida, com 27,3%. O YouTube é principal plataforma de apenas 5% dos criadores.
Dois dados também chamam a atenção: a maioria começou a produzir conteúdo há dois anos ou menos (48,2%) e mais da metade (53,4%) tem entre mil e 5 mil seguidores. Apenas 9,5% afirmam ter mais de 50 mil seguidores. Entre 5 e 50 mil, as faixas somadas representam 37,2%.
A pesquisa também questionou qual era o gênero literário mais abordado pelos influenciadores literários. A pergunta permitia múltiplas escolhas. O mais citada pelos criadores foi romance, com 61,9%, seguido por fantasia (40,7%), literatura brasileira contemporânea (40,7%) e romantasia (38,1%).
Aparecem na lista também, em seguida, suspense/thriller (37,6%), ficção contemporânea (29,8%), clássicos (24,5%), ficção literária (24,3%) e YA (Young Adult/Jovem Adulto) (19,9%).
A pesquisa incluiu ainda pergunta "Qual seu autor/autora favorito?", solicitando que o criador citasse apenas um escritor, de maneira espontânea. Veja a lista dos nomes mais citados:
- Clarice Lispector - 3,4%
- Rebecca Yarros - 2,9%
- Abby Jimenez - 2,1%
- Agatha Christie - 2,1%
- Ali Hazelwood - 2,1%
- Raphael Montes - 2,1%
- Sarah J Maas - 1,9%
- Aline Bei - 1,5%
- Brandon Sanderson - 1,5%
- Socorro Acioli - 1,5%
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