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Revista Playboy não terá mais edição impressa

Coronavírus acelerou a decisão da publicação que enfrenta dificuldades há anos

19 mar 2020
11h36
atualizado às 12h47
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O mundo vai tentando se adequar a esse momento de pandemia de coronavírus, cada um a seu jeito, mas refletindo a instabilidade do mercado financeiro. Devido a esses reflexos, a revista Playboy americana chegará a sua 66ª edição, mas essa será a última em versão impressa, de acordo com anúncio feito por Ben Kohn, o CEO da publicação. Decisão foi tomada por causa da situação atual, mas na verdade a revista já vinha enfrentando dificuldades após a morte, em 2017, de seu fundador, o milionário Hugh Hefner.

Em sua declaração oficial, Kohn afirma que essa decisão vinha sendo pensada há dias e que, "à medida que a pandemia de coronavírus interrompia a produção de conteúdo, fomos forçados a acelerar uma conversa que estamos tendo internamente", que vinha a ser a escolha de transformação do produto. E foi aí que veio a opção final. "Decidimos que nossa edição da primavera de 2020, que chega às bancas dos EUA e como download digital esta semana, será nossa publicação impressa final do ano nos EUA", decretou o executivo.

Fundada em 1953 pelo excêntrico Hugh Hefner, a Playboy foi por muito tempo reconhecida como sinônimo de revista masculina no mundo inteiro e, desde o início, ousou e chocou a sociedade ao associar mulheres nuas ao estilo de vida norte-americano. Em plena década de 1950, Hefner publicou fotos de Marilyn Monroe nua e trazia, em seu editorial, texto apimentado e cheio de humor e sofisticação. Era uma época em que esse tipo de publicação era proibida para adolescentes, daí ter se tornado uma espécie de bíblia para homens. Além das fotos de lindas mulheres nuas e textos ousados, suas entrevistas com nomes de destaque mundial eram outro atrativo de peso. Estão em páginas da revista, nomes como Fidel Castro, Frank Sinatra, Marlon Brando, o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, e até mesmo John Lennon, em 1980, pouco antes de ser assassinado.

Pamela Anderson foi a última atriz retratada nua na revista, na edição janeiro/fevereiro de 2016.

Aqui no Brasil, a revista Playboy sempre teve rostos bem conhecidos nas capas, que podiam ser vistas em ensaios de nus em suas páginas. A primeira edição foi publicada em 1975, encerrando sua vida 40 depois, em um total de 487 edições, com uma sobrevida entre 2016 e 2017, quando foram lançadas algumas edições de forma irregular. Em seus melhores anos, apresentava performance invejável em circulação e vendas. Em dezembro de 1999, por exemplo, a edição com Joana Prado, a Feiticeira, na capa, vendeu 1,2 milhão de exemplares. E, entre os nomes responsáveis pelas fotos, estavam Bob Wolfenson, J.R. Duran, Marcio Scavone e Luis Crispino.

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Estadão
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