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Regina Duarte é convidada para a secretaria de Cultura de Bolsonaro

Uma das mais famosas apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro, atriz havia criticado a nomeação de Alvim

17 jan 2020
18h43
atualizado às 19h09
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BRASÍLIA — A atriz Regina Duarte foi convidada para assumir a secretaria de Cultura do governo federal após a demissão de Roberto Alvim, demitido nesta sexta-feira depois de divulgar vídeo com discurso com referências nazistas. Segundo o Estado apurou, ela ainda não respondeu.

Duarte já havia sido convidada para integrar o governo no início do ano passado, mas recusou. A atriz é uma das mais famosas apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro e já elogiou a política do governo no setor. Procurada nesta sexta-feira, 17, Duarte não retornou os contatos até a publicação da notícia.

Em novembro, ela havia criticado a nomeação de Alvim. Nas redes sociais ela elogiou a decisão de Bolsonaro em mudar a pasta de ministério (da Cidadania para o Turismo), mas também disse não 'aprovar' totalmente a escolha do ex-diretor da Funarte para o cargo.

"Não posso dizer que aprovo esta nomeação. Quem me conhece sabe que se eu pudesse opinar, teria sugerido outro perfil de pessoa para ocupar cargo de tal responsabilidade. Alguém com mais experiência em gestão pública e mais "agregadora" da classe artística", escreveu na época.

Em outubro de 2018, Duarte manifestou publicamente seu apoio a Jair Bolsonaro. "Ele tem uma alma democrática", disse Regina na ocasião, interpretando as declarações consideradas homofóbicas e racistas do então candidato como frutos de um homem com um "humor brincalhão típico dos anos 1950, que faz brincadeiras homofóbicas, mas que são da boca pra fora, coisas de uma cultura envelhecida, ultrapassada".

Nesta sexta-feira, 17, Bolsonaro demitiu o secretário de Cultura, Roberto Alvim, após a referência ao nazismo em vídeo divulgado nas redes sociais. Ao anunciar o Prêmio Nacional das Artes, Alvim cita textualmente trechos de um discurso do ideólogo nazista Joseph Goebbels. Após a demissão de Roberto Alvim, o vídeo foi excluído das redes sociais.

Outros nomes são cotados: André Sturm e Josias Teófilo

Além da atriz, outros dois nomes foram citados nos bastidores por integrantes do governo como possíveis substitutos de Alvim na Secretaria de Cultura. São eles André Sturm, atual secretário de Audiovisual do governo federal, e Josias Teófilo, diretor de O Jardim das Aflições, que retrata as ideias do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo.

O Estado apurou que Sturm está em São Paulo e não procurado. Antes de entrar no governo federal, em dezembro, ele havia sido secretário de Cultura do governo de João Doria (PSDB) na cidade de São Paulo.

O próprio Alvim convidou Sturm ao governo de Jair Bolsonaro durante um almoço na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele foi anunciado à época como nome de "conciliação" em meio a atritos do então chefe da Cultura com o setor.

Já Teófilo é lembrado no governo por ter sido cotado à secretário do Audiovisual do governo no passado. Ele defendeu nesta sexta-feira, 17, nas redes sociais, a saída de Alvim do cargo e disse que rompeu com o então secretário quando Katiane Gouvêa foi nomeada ao governo. "Ele a demitiu e me ligou pedindo desculpa e pedindo indicação para a Secretaria do Audiovisual. Me neguei a indicar um nome porque sabia da gravidade da situação", disse Teófilo.

Pessoas da área de cultura do governo afirmam estar assistindo ao "bombardeio" causado pelo discurso de Alvim. Eles afirmam estar à espera de uma definição sobre para onde caminhará a pasta. A dúvida é se Bolsonaro dobrará a aposta em nome conservador, discípulo de Olavo de Carvalho, ou se apostará em alguém mais "técnico", e que não seja uma usina de polêmicas.

Existe ainda indefinição sobre o futuro da equipe trazida por Alvim para a Cultura. Entre eles, Sérgio Camargo, que disse existir um "racismo nutella" no Brasil e teve nomeação à Fundação Palmares suspensa pela Justiça.

A saída de Alvim deixa pontas soltas na Cultura. No fim do mês, o Conselho Superior de Cinema se reuniria para direcionar incentivos ao setor. A situação agora é de "insegurança".

Há ainda indefinições sobre o Prêmio Nacional das Artes, anunciado com o discurso que causou a queda de Alvim, que distribuiria cerca de R$ 20 milhões. Além disso, apesar do comando da Cultura ter sido levado ao Ministério do Turismo, ainda falta um decreto para levar cargos comissionados à pasta de Marcelo Álvaro Antônio.

Estadão
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